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Assédio

Assédio 11Assédio, o assunto é esse.       

Ele não fazia nenhuma questão de disfarçar. Olhava meu corpo como quem analisa uma mercadoria. Depois que levantou, andava em torno da poltrona que eu sentava, olhava por cima de meus ombros tentando ver meu decote por dentro. Caminhava esbarrando suas pernas nas minhas, aliás, como se o ambiente fosse minúsculo insistia em esbarrar seu corpo na minha cadeira.

        Não era justo, eu estava querendo discutir minhas condições profissionais, meu salário. Não estava ali procurando um encontro. Ele era um tipão, sempre admirei e admiti em meus devaneios uma hora me fartar naquele robusto (ele era gordinho) corpo. Muitas vezes idealizei ouvir aquela voz meio rouca me tratando por vagabunda alardeando o prazer que minhas carnes estavam lhe proporcionando.

Assédio 3

        Ele disfarçou minimamente quando ficando de costas meteu a mão entre as pernas e ajeitou seu pinto que já estava crescido. Todas as suas falas tinham um segundo ou terceiro sentido.

        Insisti. – Eu preciso de mais. Mais responsabilidade e um ganho maior, estou muito contida.

        – Comigo você não precisa se conter, se abra, deixe sua vida fluir. Também acho que você tem muito a ganhar.

        Entenderam? Isso era uma cantada inteligente ou ele estava receptivo as minhas ponderações profissionais.

        Minha mente passou a relembrar as atitudes e falas, que agora entendo serem de duplo sentido. Na entrevista inicial ele me desconjuntou. Eu disse – muito prazer. Ele respondeu. – Sim teremos prazer.Assédio 6

        Eu me esforçava para entregar um trabalho, perguntava sua avaliação e recebia uma frase maliciosa. – Você está cada vez melhor.

        Ele não era grosso, nunca foi vulgar, isso ampliava minha tolerância. Também era insinuante nos gestos físicos. Na minúscula saleta do café, com o pretexto de alcançar alguma coisa nos armários, jogava seu corpo contra o meu e conferia o contorno no meu traseiro.

        Elogiava minhas unhas e meus dedos alongados tomando minhas mãos a pretexto de olhar atentamente.

        Sempre escolhia uma posição estratégica e aproveitando ser de vidro a mesa de reuniões e a minha concentração dos assuntos discutidos ele babava sobre minhas pernas, que confesso nunca estavam recatadamente ajeitadas.

        Confesso. Nunca fui tão ostensiva, mas por várias vezes alimentei a fantasia de estar nas garras desse gavião.

        Sou mulher, gosto de sexo. Quero ter muitos homens, muito prazer, mas eu decido com quem e como será. Não quero me sentir intimada, obrigada a ceder. Sou usável, não sou abusável.

        – Então, quando começaremos a nos entender melhor? Ele pergunta enfático.

        – Então você, ou melhor, o senhor aceita meus pedidos, vai me promover.

        – Sempre quis você numa posição melhor. Sempre pensei em você mais próxima da diretoria, que, aliás, sou eu. Temos muito a fazer juntos. Quero que você se sinta valorizada.

        Dessa vez o discurso de duplo sentido passou a ficar explicito quando ele segurou meus braços e beijando minha testa, mostrando um sorriso maroto disse. Farei a minha parte.Assédio 5

        Não sei o que mais mexeu comigo. O hálito quente no meu rosto ou o explicito assédio que estava sofrendo. Mexida mas decidida. Também tenho tesão em enquadrar um abusado.

        Pior do que uma mulher ofendida, somente duas mulheres ofendidas. Vou aproveitar que a mulher desse canalha vive me convidando para ir ao escritório dela e arrumar um jeito de contar tudo que esse sem vergonha apronta.

        ……………….

        Em certo momento, Janice a mulher do patrão de Débora pergunta.

        – Você está me parecendo inquieta. Deve ter alguma coisa pesando em você.

        – Nossa você usou o melhor termo possível. Pesando. Tenho medo de você me julgar mal.

        – Nunca vi, nem soube de nada que fosse condenável em você. Não entendi.

        – Obrigada. Mas sabe como são as coisas. Você pode receber uma notícia deturpada. Eu procurei Dr. Mario mostrando pra ele que eu podia ser melhor aproveitada e claro melhor remunerada.

        – Ele negou te ouvir?

        – Não, ouviu. Até deixou um compromisso de proximidade, de valorização.

        – E isso não foi suficiente?

        – Teria sido se ele estivesse falando profissionalmente. Ele mudou tudo. Numa versão da cabeça dele, ficou achando que eu querer ser vista com outros olhos, querer ser valorizada seria como mulher. Eu fui assediada.

        Janice baixa o olhar, segura e agita as mãos de Débora, silencia o ambiente por alguns momentos. Com voz grave pergunta.

        – Você como mulher está ofendida?

        – Minha maior preocupação era passar por uma oferecida, aproveitadora. Empresa pequena, tudo se nota, se ele continuar sem freios. Se alguém concluir erradamente? Nossa sala de reuniões é envidraçada. Foi um abraço visto por quem quisesse.Assédio 9

        – Como profissional você deve estar arrasada, mas e como mulher?

        – Difícil separar as coisas. Sou gente, lutei, estudei, me esforço. É esse o tipo de atributo que quero ver reconhecido. Não cabe pensar que fui desejada como mulher. Seria maluquice. E continua.

        – Não pense que vim procurar você para promover discórdia, desunião. Só me interessa fazer você saber que não partiu de mim.

        – Vou pedir para que você o perdoe.

        – Claro. Vou pedir mais, não quero que você brigue com ele.

        Caiu no choro. Janice puxou-a num abraço, acariciou suas costas, seu cabelo, beijo-lhe rosto e pescoço. Não teve nenhuma pressa em reverter aquela posição.

        – Está tudo bem entre nós? Entendeu que não tive culpa?

        – Nem ele. A fala de Janice é intrigante.

        – Ele não tem culpa. Janice melhor se ajeita e aprofunda o abraço em Débora. – Você pode estar surpresa, entendo, mas não leve para o lado errado.

        – Sei que foi uma resposta de duplo sentido. Ele foi muito inteligente, mas não dá para entender de outra forma, aquilo era uma cantada!

        – Ta bom. Sim, fui uma cantada. Ele teria que começar desse jeito senão ficaria mais difícil você entender.

        Janice está enroscada em Débora, a posição já havia passado do fraternal.Assédio 8

        – Mário e eu temos uma relação muito franca. Não somos hipócritas. Não mascaramos reações. Se olhamos outro ser humano com atração reconhecemos isso para o outro.

        – Ele já havia falado com você sobre mim?

        Débora ganhou um sorriso enigmático, um beijo na boca totalmente inesperado e uma resposta surpreendente.

        – Ele ouviu e concordou sobre você. Mês passado, fui ao escritório de vocês. Você entrou na sala dele pra entregar uns documentos, usava um minúsculo vestidinho vermelho. Apropriado para o clima, apropriado para quem estivesse querendo atenção. Não, não se ofenda. Não é censura, é constatação. Você se curvou e seus seios ficaram a mostra. Suas pernas estavam pouco cobertas, sua bunda marcada. Apreciamos você. Mario notou minha atenção no seu corpo, maliciosamente sorriu e com a sua saída disparou. – Gostosa, né? Sorri de volta e questionei. – Já cantou? Outro sorriso malicioso. – Não, que tal? Posso? Concordei e confessei. – Já conversei com ela e gostei, pra mim parece segura, se você tem a mesma opinião, vamos em frente.

Assédio 7

        – Janice, que papo maluco….

        – Mario é bom observador, me garantiu que você fazia questão de mostrar que sabia estar sendo desejada. Que muitas vezes pegou olhares interesseiros. Que você dava muitos closes no pinto e na bunda dele. Não perca tempo negando. Isso é coisa natural. Todos observam todos. Mulher que nega analisar homem, mente.

        – Mas eu nunca….

        – Exatamente, nunca tentou nada, nunca foi além, nunca tomaria a atitude.

        Outro beijo, e esse nada tinha de fraternal. A mão de Janice se aventura no meio das pernas de Débora, dá um agarrão em sua coxa e dispara.  

        – Eu quis você pra mim. Na verdade pra nós. Sua opinião sobre a liberdade das relações me impressionou, gostei de ver você defendendo a tese que o ser humano é Sexual, nem homo, nem bi, nem tri, mas é sexuado, tem sexo, deseja, quer ser desejado.

        Difícil dizer de quem partiu a iniciativa. Em segundos os corpos dessas mulheres foram ficando mais enroscados e menos cobertos. Toda sorte de carinhos trocados. Sussurros, palavras sem nexo. Débora repetia que estava sendo assediada que aquilo era imoral, ilegal, mas pedia. Abusa, abusa dessa vagabunda, abusa bastante.

        Uma sentiu na boca da outra o gosto do seu próprio corpo. Um olhar de relaxamento trocado e mais outra surpresa. Janice deixa claro o andamento das coisas.

        – Vou chamar o Mario, vamos dividi-lo.

 

A hóspede            Vem transgredir comigo           Marido de aluguel        Edifício Minister 
A serviçal           Ele queria um homem             Orgasmo marcado           Mary Help

 

           

Assédio 10

Cako Machini
Cako Machini
Desde 1953 também responsável pelo mundo que vivemos. Publicitário, marqueteiro, empresário. Criativo, amante das artes. Resolvido a viver o Outono de sua Vida junto a natureza, priorizando as palavras e as viagens.

2 Comments

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