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13 de outubro de 2019

Canela

Canela. Estivemos em Canela em Junho de 2017. Não vimos Canela, somente pudemos sentir Canela. Passamos quase três dias na cidade e durante todo esse período, em função de uma complicada injunção das condições atmosféricas, estivemos sob um espesso nevoeiro todo o tempo assim a cidade não foi vista, foi descoberta e descoberta aos poucos, exatamente assim.

Tecnicamente, a diferença entre neblina e nevoeiro é o alcance da visibilidade entre uma situação e outra. A densidade do nevoeiro é maior, por consequência a visibilidade possível fica abaixo de um quilometro. Neblina é coisa mais leve, com visibilidade acima de um quilometro. Gente, estivemos sob um nevoeiro dos bravos. A visibilidade era de no máximo um quarteirão.

Viajar também é um exercício de adaptação, assumimos nossa impotência perante a possibilidade de mudar o clima e passamos a curtir a cidade sobre uma ótica, ou seria uma mística diferenciada.

A cultura Guarani explica a criação do mundo dizendo…. Tudo eram brumas, brumas, brumas. … Os mais solenes rituais Guaranis são realizados em cenários onde a fumaça, as brumas são predominantes. E tenham certeza a mística que isso provoca é excepcional.

E assim, tendo que buscar horizontes, indo próximo de qualquer coisa que chamasse nossa atenção, fomos penetrado as brumas e percorrendo a cidade.

Nossa doutrina de viajante preconiza que é sempre mais oportuno montar um roteiro e não seguir para um único destino. Essa viagem precisando de um título seria chamada de “ O frio da Serra do Rio Grande”, ou talvez, “Rota das Hortênsias”.

Não faríamos uma viagem a Gramado. Não estaríamos satisfeitos se não conhecêssemos a região. Até porque Gramado está glamourizada, e se hoje é um destino disputado é porque sua essência era muito interessante. Então busquemos essa essência nos seus arredores.

Visitamos nessa viagem, Gramado, Nova Petrópolis e Canela.

Uma consideração mais do que válida de ser feita é sobre reposicionar as expectativas. Quando se afirma. – Faremos uma viagem para conhecer a Serra Gaúcha. Não se deve imaginar que se estará encontrando estanceiros “pilchados” de gaúchos da cabeça aos pés. Muito pelo contrário. O que se oferta dessas cidades visitadas é uma condição cosmopolita. Leia mais afrente sobre interessantes, porém exóticas. Atrações interessantes, e que poderiam estar em qualquer outro local.

A Catedral de pedra

A única coisa que verdadeiramente não pode deixar de ser vista por que está em Canela é a Catedral de Pedra. A obra é maravilhosa, mística, diferente. Não imagine pelo nome que você estará visitando uma construção secular. Na verdade a obra é recente, foi construída na segunda metade do século XX. Também não é gigantesca. Mas é um ótimo projeto gótico totalmente. Totalmente revestida com pedra basáltica (piso também) acaba gerando uma atmosfera medieval impressionante.

 

A igreja foi classificada como uma das Sete Maravilhas Brasileiras em 2010. Depois ganhou um sistema de iluminação sensacional que dá uma aura incomum abrilhantada pelas constantes condições de neblina ou nevoeiro, tão comuns na região. Esse show de luzes projetado com excelente bom gosto, emoldurando uma edificação gótica, envolta num denso nevoeiro, vale a viagem.

E o show continua por dentro. A catedral é gótica, portanto austera, escura, servindo para destacar seus maravilhosos vitrais realçados pela luz do exterior. Os murais pintados do interior do templo, são admiráveis.

Você deve visitar o local durante o dia e depois do anoitecer, são duas impressões que precisam ser registradas.

O Castelinho Caracol

É uma casa, eu diria uma mansão muito interessante de ser visitada pela enorme série de curiosidades e excentricidades que envolvem esse local.

Um casal comercializava madeira na região e se empenhou em construir uma suntuosa residência.

A edificação é composta de 18 cômodos. Na construção foi usada madeira de Araucária, aquele pinheiro símbolo de toda região serrana do sul do país.

Vejam o empenho. Essa madeira ficou submersa durante 6 meses e secou a sombra pelo mesmo período. Tudo é fixado por encaixe. Não existe um único prego nessa construção.

Vários cômodos estão abertos a visitação ostentando além da decoração os utensílios e até mesmo o enxoval exposto é original.

A sala de música, o escritório do Sr. Frazen e a cozinha que funciona exatamente da mesma forma a mais de um século.

Na parte externa você encontra uma infraestrutura de porte e explica como foi possível a construção desse porte e gabarito naquela desprovida e isolada região. Marcenaria, carpintaria, oficina, forjaria. Um esquema de autossuficiência abrangente e necessário para a empreitada.

Fica proibido sair dessa visita sem consumir um clássico da gulosice da serra gaúcha, Apfelstrudel com creme de nata, acompanhado de chá de maça ou chocolate quente.

E o restante (que não é pouco) de Canela será agrupado em três grupos.

A região

As belezas da Serra Gaúcha são sempre encantadoras. Uma geografia impressionante, rica em detalhes e contrastes. A mão do homem influiu e completou o cenário criando a Rota das Hortênsias. Passeie muito pelas redondezas, será um tempo preciosamente empregado. Se você quer referências, anote.

Parque e cascata do Caracol

Mirantes, elevadores, plataformas. Foi feita uma interferência que valoriza, destaca e facilita a observação dos caprichos da natureza na região.

Parque do Pinheiro Grosso

Tudo gira em torno da observação de uma árvore multissecular, com idade calculada em 700 anos.  É impactante ver a força da natureza perseverar esse tempo todo zelando por uma de suas criações.  

O comercio

Licor, chocolate, vinho, cristais, artigos em couro. Muito de tudo isso você vai encontrar. Ir e vir pelas ruas centrais de canela acabará entrando em sua programação.

Lógico que aquela arquitetura nórdica, a temperatura (quase) sempre baixa e por tudo isso uma definida elegância envolve a todos e aguça o paladar. A culinária alemã e as cervejas artesanais (ou não) estão muito bem representadas. Siga seu feeling, a possibilidade de erro é mínima.

Empreendedorismo

Aproveitando uma demanda já existente, aproveitando a fama acelerada de Gramado, a região começou a ganhar empreendimentos temáticos que criaram uma força sinérgica interessante.

É sempre motivador você encontrar atrações que não tem vinculação direta com a região, mas que em essência são interessantes, veja.

Museu do Automóvel

Uma coleção interessante que mostra a cronologia da indústria mundial e nacional do automóvel. Vários modelos icônicos provocam um alto grau de satisfação dos visitantes, principalmente pela ambientação do recinto.

Mundo a Vapor

Uma exposição sobre tudo que a humanidade criou, ou fez se mover usando essa energia. A coisa mais impactante é a reprodução do acidente ferroviário ocorrido em Paris quando perdendo os freios uma composição atravessou a estação e se projetou para fora do edifício.

Mundo Gelado

Esse é o primeiro parque temático gelado da América Latina. Uma caverna de gelo com temperatura constante de -10°. A sensação é de estar num desses iglus retratados em filmes de aventura.
Seu “conforto” ou sobrevivência é garantida por na entrada cada visitante receberá um casaco apropriado. Nem pense em frequentar se você não estiver vestindo, no mínimo calças compridas e sapato fechado.

Museu da Moda

Numa área de 2500 m² você é apresentado a um acervo que busca contar a história do vestuário feminino desde o princípio da humanidade. Grande enfoque para períodos onde o vestuário tinha destaque especial como o Renascimento, a era Napoleônica e o Iluminismo.

Uma seção especial apresenta as vestes do período mais glamoroso de Hollywood e suas eternas divas.

Alpen Park

Um parque de atrações radicais. Destaque para (ótimo) passeio de trenó e para a Alpen Blizzard, uma incrível montanha russa. Pra quem gosta de adrenalina, esse parque é compromisso certo.

 

 

Cako Machini
Cako Machini
Desde 1953 também responsável pelo mundo que vivemos. Publicitário, marqueteiro, empresário. Criativo, amante das artes. Resolvido a viver o Outono de sua Vida junto a natureza, priorizando as palavras e as viagens.

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