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Casarão do Chá

O Casarão do Chá

O casarão do Chá pode sugerir, mas nada tem a ver com moradia. Na verdade trata-se de uma instalação industrial.
O casarão do Chá merece ser conhecido por ser uma edificação erguida com processos construtivos bastante incomuns.

Pelo menos que reside na grande São Paulo sabe que Mogi das Cruzes e região teve uma forte presença da colônia japonesa.
A região é também uma referência na produção de hortifrútis, sendo um dos destaques daquilo que se denomina Cinturão Verde de São Paulo. Que apesar do nome não tem nenhuma intenção ecológica e sim o abastecimento da metrópole em verduras, e legumes.

Sem muita preocupação com datas e nomes e priorizando o contexto, temos que no princípio do século XX uma significativa área da região foi comprada por uma família (empresa) japonesa para produção agrícola.

Além dos sempre presentes hortifrútis, essa fazenda começou a produzir Chá.
A segunda guerra mundial mexeu e afetou o mundo inteiro e influiu em tudo que se possa imaginar. Em termos de comercio internacional passou a existir uma enorme possibilidade quanto ao comercio de Chá vindo de países produtores não convencionais. Os núcleos produtores de Chá no Brasil passaram a ter uma oportunidade única.
Dessa forma a Fazenda Katakura que já produzia Chá investiu para multiplicar sua produção. Kazuo Hanaoka, um imigrante que no Japão tinha o ofício de carpinteiro construtor foi incumbido de construir uma edificação que comportasse todo o manejo, preparo e embalagem do Chá.

Claro que o projeto a ser erguido levava em consideração a cultura japonesa e o ofício aprendido pelo senhor Kazuo Hanaoka, com alterações somente no tocante aos materiais encontrados e disponíveis aqui no Brasil.

O grande e curioso diferencial é que em toda a construção não foi usado um único prego, grampo, parafuso, ou amarra, a estrutura inteira se sustenta num processo de encaixes.
Toda estrutura foi montada com troncos de eucaliptos tratados, revestidos com várias camadas de Taipa.
Levando em consideração que aquela é uma construção de basicamente grandes vãos livres, e a altura das paredes, os adjetivos usados para se referir a obra sempre rondam o conceito do arrojo, da ousadia, do diferente.

As condições internacionais novamente se alteraram e a produção/exportação de Chá aqui no Brasil entrou em declínio. A atividade, produção de Chá para exportação, definitivamente foi encerrada em 1968.

A edificação foi utilizada como depósito da fazenda, e claro entrou em acelerado processo de deterioração até que em 1982 o Casarão do Chá é tombado pelo CONDEPHAAT, como bem cultural, artístico e turístico do Estado de São Paulo. Em 1986 o IPHAN (órgão federal) dá o mesmo tratamento e declara o Casarão do Chá patrimônio nacional.

Atualmente as instalações estão abertas a visitação pública. O visitante tem boa narrativa sobre a história do casarão através dos painéis ali instalados. A Associação mantenedora faz funcionar na área externa uma espécie de feirinha onde artigos cultivados localmente estão a disposição.

Temos também uma “praça de alimentação” onde lanches e comida oriental são oferecidos.

O recinto recebe muitos eventos ao longo do ano. São realizadas mostras de artesanato, cerâmica, exposições de artes, flores e plantas ornamentais.

O Casarão do Chá está localizado na Estrada Fujitaro Nagao, Km 3,5, distrito Cocuera. Não fica muito distante do centro da cidade e está muito próxima do trecho inicial da Estrada Mogi-Bertioga, que tem ótimas opções de alimentação. Muitas lojas que comercializam plantas, moveis para exteriores, móveis rústicos, etc.
É possível passar um dia agradável vendo muita coisa interessante.
… … Recomendamos.

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Como todos nós adoramos curiosidades, excentricidades, fica a dica. Quem se espantou com o fato do Casarão do Chá ter sido construído sem o uso de nenhuma conexão metálica, tipo prego, grampo, etc, Não deixem de conhecer o Castelinho Caracol em Canela RS. Esse é o atual nome da residência de uma das famílias pioneiras da Serra Gaúcha. Uma encantadora casa com 18 cômodos construída em madeira de Araucária que também não utilizou um único prego em sua construção. Veja a matéria https://coisasdegentegrande.com.br/canela/ e quando estiver na Serra Gaúcha não deixe de visitar nem Canela, nem o Castelinho Caracol.

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Cako Machini
Cako Machini
Desde 1953 também responsável pelo mundo que vivemos. Publicitário, marqueteiro, empresário. Criativo, amante das artes. Resolvido a viver o Outono de sua Vida junto a natureza, priorizando as palavras e as viagens.

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