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Cúmplices

Cúmplices

Cúmplices.

Percebi quando ela aproximou a cadeira fixando mais atenção da tela do meu computador. Não quis constrange-la, fingi não ter percebido.

Francamente não lembrava se havia ou não alguma página aberta. A fisionomia de Martina passou de curiosa para muito atenta e agora era enigmática.

Servindo o licor que havia ido buscar, não quis ser enfático. Uma pergunta bem superficial.

– Tudo bem? Uma resposta misteriosa.

– Talvez melhor.

Não sei se disfarcei o suficiente. Tentando conversar normalmente levantei e dei uma meia volta. Conferi a tela estava aberta numa das minhas contas de e-mail. O monitor hibernou e não pude perceber qual conta estava exposta.

Não, minha privacidade não estava ameaçada, não havia nenhuma mensagem aberta.

– Você usa muito o computador? O que essa pergunta aparentemente sem nexo poderia estar querendo saber?

– Cada vez mais… É a vida.

– Seu nome é somente Marcos?

– Marcos Vinícius… Feio né?

– Incomum. Não conheço outro.

– Nem eu.

Cúmplices 5

Dialogava com uma mulher muito diferente da vizinha Martina, pessoa de semblante sisudo, sempre apressadinha nunca dava chance para conversas mais longas. Na verdade também nunca havia olhado para ela como mulher. Bom. Um homem, na verdade homens e mulheres sempre se olham imaginando como seria se fossem parceiros sexuais. Hoje essa sequência de fatos, digamos estranhos está me fazendo reparar melhor e mais maliciosamente em Martina. Estou vendo a fêmea, não a mulher.

Minha mulher, Sara havia encomendado uns cosméticos e Martina nos visitava para realizar a entrega. Algum congestionamento providencial estava atrasando Sara  permitindo que eu melhor curtisse esse belo par de pernas.

Cúmplice 8

Outra surpresa. Tenho certeza que foi intencional e ela sabia que meu olhar estava fixado em seus joelhos, quando ela recruzou as pernas e puxou mais para cima o vestido. Além dos joelhos, olhei maliciosamente o trecho descoberto de suas coxas, quando levantei o olhar vi seu rosto mais enigmático ainda quase dizendo. Fiz de propósito curta a vontade.

– Você e Sara tem relacionamento ótimo, certo?

– É isso, não temos problemas.

– Mais que isso, vocês além de se bastarem se aplicam em fazer o máximo um pelo outro. A frase foi encerrada com um suspiro enquanto sua mão massageava seu colo acima de seus peitos.

Essa conversa não fazia sentido. Estava excitado, envolvido por aquele clima misterioso e pela forma explicita de Martina exibir seu corpo. Agora ela praticamente deixava um de seus peitos fora do decote.

– Você e Sara conversam muito?

– Pessoalmente pouco e de forma superficial.

– Não pessoalmente…?

– Assim como com você. Falamos pouco pessoalmente.

Cúmplices 4

Enquanto dizia essa última frase enigmática, deslizou sobre a cadeira como se estivesse se preparando para ser possuída. Cheguei a pensar que aquela mulher estava enlouquecendo. Na verdade ela estava nos enlouquecendo. Meus instintos voltaram minha atenção para o vão de suas pernas. Sem consciência do ato me surpreendi massageando meu membro. Ela notou e não se constrangeu.

– Quando vocês resolveram se permitirem a plenitude?

Não sabia o que responder, não estava entendendo nada. Estava fixado na calcinha vermelha que se mostrava cada vez mais. Ela oscilava as pernas de um lado pra outro lado sem o mínimo pudor ou constrangimento.

– Pernas lindas.

– Você já disse isso.

– Eu? Quando?…

Um sorriso malicioso. Um aceno positivo de cabeça. Ela exibe um de seus peitos, aperta um mamilo enrijecido.

– Você também já elogiou esse aqui.

Tenho com Sara um relacionamento mais do que liberal, mas penso como ela reagiria se chegasse e me encontrando atracado com a vizinha? Beliscando seu mamilo ela continua.

– Sara disse que mordiscaria e chuparia meus peitos. Você estaria dentro de mim , ela sugaria até gritasse de prazer.

Sara não havia me dito que tinha intimidade com aquela mulher. Que conversa era aquela? Eu nunca havia atentado aquela mulher. Estava excitadíssimo e completamente confuso.

– Martina, explica melhor, não estou…….

– Ate! Pra você e cada vez mais sou Ate. A deusa grega não muito reconhecida, a regente da insensatez, do pecado. Eu a deusa Ate sou quem provoca a perda da sensatez.

Com o cognome de Cúmplices Sara e eu havíamos publicado num site de relacionamento.

Casal maduro, bem resolvido, liberal procura Namorada.

Cúmplices 6

Em momentos tórridos, Sara entre urros e palavrões sempre confessou o desejo de ver meu corpo tomado por outra mulher. Eu delirava e fantasiava me agarrar ao traseiro de uma mulher que se fartava no sexo de Sara. Visualizava o carinho de corpos femininos alternando beijos ternos e  selvagens.

Trocamos mensagens e fotos com algumas mulheres.Com  Martina, quero dizer com Ate, estava sendo especial. Estávamos animados e com ótimas expectativas desse relacionamento. Ate exibiu na primeira foto pernas cruzadas com joelhos enlouquecedores. Depois um close de parte de sua boca com uma ameaça de explorar com a língua cada centímetro de nossos corpos.

Pensávamos que Ate seria algum apelido e não um codinome pista que apontava para um vulcão que represava uma gana imensa por uma conduta ousada, por um prazer transgressor.

Ela nós contou ser recorrente o sonho de circular pelos vagões do metrô apalpando descaradamente corpos masculinos. Quando recebia uma reação positiva se enroscava deixando uma das mãos sobre o sexo e a outra na bunda do macho escolhido. Oferecia beijos a todas as mulheres que olhavam sem indignação e até com alguma inveja.

Nos deixou tarados quando contou que desnecessariamente trocou a blusa num vagão do metrô, sem estar usando sutiã, claro.

Cúmplice 9

Foi inédito, nunca Sara e eu havíamos transado motivados por algum vídeo, mas frente ao detalhamento de Ate sobre ter masturbado um morador de rua nos provocou uma reação incontida.

Enviamos certa vez para Ate uma foto onde nossos corpos estão nus. Um primeiro plano de nossos quadris unidos. A resposta de Ate foi delirante. – Tomarei em minha boca o gosto do prazer de vocês.

Martina incorporou Ate quando viu na tela que o casal “Cúmplices” , desejado, curtido estava ali muito perto e acessível.

Selvagem como havia sido idealizado tomei aquela mulher nos braços. Chegamos ao chão semi nus, rolamos.

– Marcos? Martina?

– Não Sara, essa é Ate, esclareci estendendo a mão.

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