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Jardim da Luz

Jardim da Luz Chamada

O Jardim da Luz  

Podemos dizer que esse parque foi exatamente o marco da transformação de São Paulo, um estado inexpressivo até o século XIX na potência de hoje. Não torçam o nariz, São Paulo era pobre e atrasado antes dos ciclos econômicos do café e da industrialização. Inspirado em parques franceses, a referência cultural da época abrigou o primeiro Jardim Zoológico da cidade, o primeiro boulevard. Foi o primeiro local “Chic” da cidade.           Teve uma importância crucial por ser a grande porta de chegada. O Jardim da Luz era o que hoje pode ser representado pelo Aeroporto de Congonhas e depois pelo Aeroporto de Cumbica. A Estação da Luz, e a Estação Julio Prestes tinham essa mesma importância.

Mesmo tendo como vizinha a indigesta Cracolândia (adoraria editar esse texto e alterar esse paragrafo muito breve) é um local que merece ser visitado.

Esse não é um local para se dar uma passadinha. É passeio pra ficar o dia inteiro. Ou melhor para ser visitado com calma e em partes. Não gosto de visitar mais do que uma atração de mesmo gênero no mesmo dia. O Jardim da Luz tem um privilegiado acumulo cultural que, segundo meus conceitos precisa ser dividido.

Estação da Luz                                                                                                                

 Edifício tombado que remete ao período do inicio da grande prosperidade paulista e testemunha um passado onde as ferrovias tinham grande importância. Abriga também o Museu da Língua Portuguesa.

Construída inicialmente numa versão mais tímida do que a atual, essa edificação tem suas curiosidades. Numa ação da São Paulo Railway, empresa que literalmente aqui explorava o transporte ferroviário, essa edificação foi projetada e fabricada integralmente na Inglaterra. Isso mesmo, esse é um edifício que foi inteiramente importado.  Devem ter tido para isso boas Ra$$ões.

Estação da Luz 1 Sua arquitetura foi inspirada na Abadia de Westminster e sua torre e relógio relembram o Big Ben. Seu funcionamento está datado de 1901. Hoje ela soma uma área de 7,5 mil m².

Nesse primeiro quarto do século XX, foi  ponto de muito glamour. Até 1936 quando o AeroEstação da Luz 2porto de Congonhas foi inaugurado e nas décadas seguintes quando a aviação engatinhava, era na Estação da Luz que os abastados iniciavam suas viagens ou acessavam São Paulo que naquele tempo por não ter sido ainda sacaneada com a cobertura de seus rios, tinha garoa.

Estação Sorocabana  

Essa ficou sendo a denominação popular da Estação Julio Prestes. Sorocabana era o nome da Companhia Ferroviária que operava naquele local. Por esse nome poucos reconhecem o prédio que abriga a Sala São Paulo (concertos musicais).  Pra mim, tão charmosa como sua vizinha.

Estação Julio Prestes        Estação Julio Prestes 2

 Jardim da Luz

Jardim da Luz 2Parque que já foi o jardim botânico da cidade. Com projeto inspirado em jardins parisienses  foi o mais sofisticado espaço público da cidade. Era chic a aristocracia desfilar em suas alamedas.

Alguém ai conhece a expressão “fazer o footing“? Pois é, naquele tempo a aristocracia ia la´fazer o seu footing, que nada mais é do que um passeio, uma caminhada. Eu diria que seria uma forma de paquera.

A região infelizmente não é completamente segura. Seus limites se confundem com a cracolândia. Não sou alarmista. Não excluo visitar a região, mas recomendo atenção e prudência.

Jardim da Luz 3Jardim da Luz

Jardim da Luz, ProstituiçãoPinacoteca                                                                                                                     

Outro edifício espetacular, também tombado que por si já vale o passeio. Além de um belíssimo acervo, sempre temos espetaculares exposições temporárias.

Quem admira aquele charmosíssimo edifício feito em tijolos, não imagina que o prédio foi inaugurado ainda inacabado. Somente o portal de entrada recebeu o revestimento em cimento previsto no projeto original.

   Pinacoteca 1Pinacoteca 2

Não relatamos fatos, Reportamos a alma. Nossa narrativa, já dizemos, se preocupa com sensações. O acervo da Pinacoteca conta com obras dos mais importantes artistas brasileiros. Seus olhos, sua alma terão excelentes sensações. Prepare-se para com calma desfrutar desse local.

Pinacoteca 4

O Café da Pinacoteca é ótimo, merece ser frequentado. Charme, Glamour, Simpatia, Qualidade.

Museu de Arte Sacra de São Paulo    

UMosteirom lugar onde adoro estar. Já visitei dezenas de vezes. A paz dos seus jardins a atmosfera de todo recinto. Uma construção tão antiga e rude, isso me trás excelentes vibrações. Me sinto muito bem. O convívio com a arte barroca me fascina.
O Museu de Arte Sacra de São Paulo, funciona no Mosteiro da Luz, que talvez seja a obra da vida de Frei Galvão, (canonizado em 2007), se tornou o primeiro santo nascido no Brasil.

Tão interessante quanto ver o acervo é saber das histórias do Museu

Fundador e Fundação    

Frei GalvãoA expressão Frei vem do Latim Frade, que significa irmão. É usada em algumas ordens religiosas. Antonio de Sant’Ana Galvão paulista nascido em Guaratinguetá em 1739, integrou a Ordem Franciscana sendo conhecido como Frei Galvão. Em 2007, foi canonizado, sendo o primeiro santo nascido no Brasil.

Numa motivação mística (visões de uma sua confessante a freira penitente Helena Maria do Espírito Santo) Frei Galvão se determinou a construir um convento para meninas que optavam por uma vida religiosa, mas sem fazer os votos. Surge o Recolhimento Nossa Senhora da Luz.

No final de sua vida, Frei Galvão foi autorizado a se abrigar no Convento da Luz.

O mosteiro é a única edificação colonial do século XVIII  em São Paulo a preservar seus elementos, materiais e estrutura originais. Encontra-se inserido em meio à última chácara conventual urbana do país. Foi tombado como monumento arquitetônico de interesse nacional em 1943, pelo então IPHAN e, posteriormente, pelo Condephaat.

O primeiro Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva implantou na ala esquerda dessa edificação um espaço para abrigar o acervo das relíquias sacras dessa arquidiocese. Em 1970, a partir desse acervo foi oficialmente instituído o Museu de Arte Sacra de São Paulo.                                                                                                                    O museu abriga obras de artistas exponenciais como Aleijadinho, Frei Agostinho de Jesus, Frei Agostinho da Piedade, Mestre Valentim, Almeida Junior, Benedito Calixto.    

Agora, deixa eu falar um pouco sobre isso que gosto tanto. Arte Sacra.

Frei Agostinho da Piedade            

Nascido em Portugal tornou-se monge no Mosteiro Beneditino da Bahia. Foi um artista pioneiro  naquilo que foi chamado de arte erudita do Brasil. Muito de sua obra está na Bahia. Pela sua formação vários mosteiros beneditinos também ostentam seus trabalhos.

No Museu de Arte Sacra de São Paulo estão uma representação de Santo Amaro e uma N.Sª de Monte Serrat. É de sua autoria a coleção de bustos relicários (veja foto exemplo) guardada no Museu de Arte Sacra de Salvador.                                                  Foi  seu discípulo o também frade beneditino Frei Agostinho de Jesus.

Relicário    Relicário 3    Relicário 2

Frei Agostinho de Jesus  

Outro pioneiro das artes plásticas no Brasil. Suas obras mais consagradas são as estátuas em tamanho natural de São Bento e sua irmã Santa Escolástica (patrono das ordens beneditinas) que ocupam os alteres do Mosteiro de São Bento em São Paulo.

No Museu de Arte Sacra de São Paulo pode ver vista a impressionante e intrigante representação de N. Sra. da Purificação. Os especialistas, na analise comparativa dessa imagem afirmam que também é de Frei Agostinho de Jesus a autoria da imagem de N. Sra. da Conceição que encontrada nas águas do Rio Paraíba se tornou  Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a padroeira do Brasil.

Indo ao Museu de Arte Sacra de São Paulo não deixe de observar essa imagem .

N. Sra. Purificação   Texto N. Sra.                                                           N. Sra. da Purificação

Mestre Ataíde

Pintor que ousou usar cores muito vivas em alusão a nossa exuberante natureza. Também  ousou impor feições mestiças, traços dos genuínos brasileiros aos anjos, madonas e santos que pintava. Dessa forma mereceu o título de precursor da genuína arte brasileira. Em diversas locais é possível ver a arte de Mestre Ataíde e de Aleijadinho se complementar.

Madona Mestra Ataíde Mestra Ataíde

Mestre Ataíde 3  Mestre Ataíde 5   Mestre Ataíde 4

Aleijadinho (Antonio Francisco Lisboa)

Seus dados biográficos são confusos. A maior parte do que se fala sobre ele é impreciso ou lenda. Basta saber que esse mineiro filho de português e mãe escrava herdou os conhecimentos do pai que era mestre pedreiro, do tio que era entalhador e desenhista e se transformou no reconhecido maior nome do Barroco americano.

Existem mais de 600 obras de autoria a ele atribuída.

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Aleijadinho 1

São José em madeira policromada, século 18

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Aleijadinho

N.Sra. das Dores em madeira policromada, século 18 Autor Antonio Francisco Lisboa “Aleijadinho”

arte sacra aleijadinhoQuer saber mais sobre o acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo, visite o Acervo Online do Museu de Arte Sacra.

O endereço é ótimo tem fotos de excelente qualidade mas de jeito algum substitui uma visita.

Museu dos presépios  

O museu também abriga outras duas coleções especiais. O Museu dos Presépios, com 120 exemplares de várias épocas e procedências, destacando-se o Presépio Napolitano, formado por 1.620 peças do século XVIII. É um dos três mais importantes conjuntos desse tipo no mundo.

Museu 1          Presépio X

Essa maravilha secular está instalada (esse presépio é enorme) num anexo do museu. Ele foi  trazido da Itália e doado pela família Matarazzo. É gigantesco, maravilhoso. Ninguém, sensível, fica menos do que 20 minutos admirando suas milhares de figuras que se movimentam representando a cena de uma vila napolitana.

Também há a Coleção de Numismática, com 9.000 peças do período colonial, entre moedas e medalhas. Por fim, o museu abriga uma importante biblioteca, com alguns milhares de volumes, onde se encontram desde partituras do período colonial a raros livros litúrgicos do século XVI.

As Carmelitas Reclusas        

As dependências do antigo mosteiro além do Museu de Arte Sacra abriga ainda uma capela que está ativa e onde são realizados trabalhos religiosos e um convento que abriga um grupo de Carmelitas Reclusas. Essas mulheres consagradas fazem os votos normais e também um voto de reclusão e se isolam do mundo exterior.São elas as responsáveis pela produção das afamadas Pílulas do Frei Galvão.Nunca ouviu falar? Eu explico. Conta a tradição que Frei Galvão passou a distribuir aos desesperados minúsculos pedacinhos de um papel finíssimo onde ele havia escrito trechos de Salmos. A recomendação era que eles rezassem o rosário e ingerissem as Pílulas.Frei Galvão foi canonizado, a ele são atribuídos muitos milagres e a ministração das pílulas é igualmente reverenciada.

Paulistinhas  

Esse é o nome dado para peças sacras (basicamente imagens de santos) confeccionadas num padrão artístico bastante rústico que beira o primitivismo. A melhor explicação sobre o tema é que os operários contratados pelos grandes artistas para a construção das igrejas, talha dos altares, acabavam recebendo noções minímas do ofício e passaram a desenvolver um estilo próprio. Esse estilo tinha cores vivas, traços bem definidos e por serem primitivos se diferenciavam do barroco perdendo a expressão de movimento e ganhando dureza. Uma imagem Paulistinha tem sempre as pernas duras e retas.      Particularmente gosto muito das Paulistinhas.

Paulistinha 2  Paulistinha 3   Paulistinha 1

Os mistérios de uma edificação secular                                                                     

Uma coisa insólita foi encontrada numa manutenção. Foi descoberto um túmulo, na verdade foi descoberto que duas mulheres, supostamente freiras foram encontradas sepultadas no solo do antigo mosteiro. O ponto macabro e intrigante foi que as mulheres foram enterradas (supostamente vivas) abraçadas e morreram numa situação de horror.

Mulheres 1    Mulheres 2

Concluindo                                                                                                                                                                             Tenho por hábito, mesmo estando do outro lado do mundo, nunca visitar dois lugares com a mesma temática no mesmo dia. Isso deturpa as recordações, mistura os sentidos, etc…. Dessa forma recomendo que o Jardim da Luz seja visitado em etapas, são atrações muito intensas.

Já comprei três camisetas com o logotipo do Museu, acho lindo. A lojinha é ótima.

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