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3 de novembro de 2017
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20 de novembro de 2017

Mariana

Mariana - Praça Minas Gerais

Mariana, aqui nasceu Minas Gerais.

A expressão “cidades históricas de Minas Gerais” é muito usada e acaba sendo restritiva e maldosa com Mariana. É errado acreditar que todas as cidades histórias são idênticas. Todas são da mesma época, foram construídas com os mesmos padrões, Retratam o mesmo período histórico, mas são bem diferentes entre si. As diferenças somente são notadas quando se leva em conta a atmosfera, o ritmo de cada uma.

 

Se alguém afirmar que “vendo uma, já se viu todas”, está usando somente (e precariamente) os olhos. A alma está cega.

Eu já havia estado em todas as mais citadas cidades históricas de Minas. Algumas inclusive por mais de uma vez. Mariana acabou ficando no fim da lista e acabou se revelando uma ótima surpresa.

Filosofando

Viajar para nós é muito mais do que passar alguns dias num local diferente de sua casa. Mesmo que esse lugar seja maravilhoso, é preciso ver esse local muito além das paisagens.  

Um conselho e um conceito para nós viajantes. – Os Andadores devem ter ótimos ouvidos.

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        Nosso trabalho é sobre o verdadeiro Turismo da Terceira Idade. Turismo para Maduros. Turismo para maduros descolados. Um Turismo Racional que considera os interesses, objetivos, condições e disponibilidades dos Maduros. Fugimos dos modismos, dos destinos e atrações previsíveis. Buscamos as coisas curiosas, as coisas típicas, excêntricas. Queremos conhecer a alma, a atmosfera a beleza singular de tudo e de todos.

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Estivemos visitando Mariana em Outubro de 2017

Do que ouvi e pela forma como entendi, Mariana se entende como a melhor representação do áureo Ciclo do Ouro e, portanto a mais legítima das cidades históricas mineiras. A lógica é a seguinte. Foi em Mariana que o estado de Minas Gerais começou. Aqui nasceu a administração pública que tinha por missão estabelecer povoação no interior do país, organizar núcleos urbanos e fiscalizar a mineração.

O povo marianense assimilou e cultiva essa noção de precursora. Endossando essa aura lembramos, ou melhor, contamos que Mariana, na data de seu aniversário, dia 16 de Julho, se torna capital do estado. É nessa data também que se comemora o Dia de Minas.  

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Pousada do Chafariz

https://www.facebook.com/PousadaDoChafariz/

http://pousadadochafariz.com.br/

Procurávamos por um local agradável, integrado ao “clima” do lugar visitado. Que fosse muito bem localizado e claro, dentro de uma relação Custo X Beneficio extremamente favorável. Encontramos uma ótima pousada e como nas origens de Mariana também encontramos Ouro. E nem foi preciso garimpar muito.

A Pousada do Chafariz é bem construída, tem limpeza, conforto, Wi Fi, um bom estacionamento interno, enfim tudo aquilo que se deva esperar de um bom estabelecimento. E excede na comparação com outros por ter e não esconder um tesouro sócio/cultural incrível: Dona Socorro.

 

 

 

 

                      A Pousada do Chafariz oferece um aprovado restaurante. Em todo o ambiente  se respira arte. E o quesito lazer fecha o ciclo de decisão positiva. A pousada oferece piscina e sauna, receita exata para relaxar no final da tarde.

Ludmilla e D. Socorro sabem tudo, conhecem todos em Mariana. Conversando com elas você realmente conhecerá Mariana

                  * Clique no título veja mais sobre a pousada e conheça melhor a adorável D. Socorro.

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Começando a curtir

Tenho a impressão que o casario do centro histórico de Mariana é mais homogêneo. Olhando do alto da colina vejo casas muito grudadas com a impressão que todas são do mesmo tamanho e com pouca variação arquitetônica.

Decidimos fazer nossa hospedagem bem no meio do centro histórico. Ficamos muito bem instalados na Pousada do Chafariz, de onde andando a pé você acessa todos os pontos do centro histórico.

Quem olha no mapa vê que a Pousada do Chafariz está localizada ao lado da Rua Dom Silvério. Pense num quadrilátero abrangendo também as ruas, Direita, Dom Viçoso e Das Mercês e você terá atingido grande parte do que é imprescindível de ver visto em Mariana.

Não tenho nem recomendo que se tenha um roteiro rígido de visitação. Mas são tantas atrações e estão tão próximas, que vale a pena cumprir esse percurso.

A primeira e até hoje sempre importante, Mariana.

Mariana ganhou esse nome em homenagem a esposa de D. João V (rei de Portugal), a rainha Maria Ana da Áustria. Mariana foi a primeira vila a primeira cidade, por consequência primeira capital. É comum você ouvir a afirmação “Aqui nasceu Minas”.

           

O Ciclo do Ouro aconteceu quase que na marra. A “indústria” da cana de açúcar estava em franco declínio vitimada pela concorrência franco-britânica no Caribe. A coroa portuguesa começou a incentivar incursões pelo interior da colônia. Foi encontrado Ouro em alguns pontos e a necessidade de interiorizar tanto a administração como a colonização foram aceleradas. Até mesmo por estar existindo um intenso movimento migratório da Europa para o (a colônia) Brasil.

Nesse ambiente nasceu a Vila do ribeirão de Nossa Senhora do Carmo, que se que foi renomeada Mariana quando se tornou cidade.

Em 1945, o presidente Getúlio Vargas eleva Mariana a categoria de Patrimônio Nacional.

A Praça Minas Gerais.

É o ponto mais reconhecido de Mariana. Nessa praça estão localizados a igreja de NS do Carmo, a igreja de São Francisco e o prédio que abrigou a antiga Câmara e a cadeia pública.

Como o prédio da Câmara continua sendo ocupado com serviços públicos você visitará e curtirá essas três edificações. Mas preste um pouco de atenção ao Pelourinho ali instalado.

A oficialização de uma vila, de um município no Brasil colônia seguia o rito de se mandar construir um edifício para a Câmara e cadeia. A colocação de um Pelourinho para demonstrar autoridade e edificar uma Igreja Matriz (havendo ou não outra igreja já edificada).

O Pelourinho não é o original (não sei se a reprodução é fiel), mas é uma peça emblemática. A função do pelourinho era servir de local para castigos públicos a escravos e criminosos. Mas vejam a mensagem icônica de autoridade na arquitetura da peça. Um mastro onde está estampado o escudo da coroa portuguesa, identificando quem ali manda. Surgem dois braços, em um deles uma balança simbolizando a Justiça, no outro uma espada autoridade. No topo o globo terrestre lembrando o protagonismo lusitano nas navegações. E sobre tudo uma cruz mostrando tanto a temencia a Deus, ou a Igreja, como também indicando que Deus, através da Igreja reconhece o poder do rei. 

Visitando

Percorrendo o quadrilátero já descrito ( Dom Silvério, Direita, Dom Viçoso e Das Mercês) você estará acessando a maioria das igrejas imperdíveis. Passará pelo Museu de Arte Sacra (muito interessante, principalmente para um fanático como eu), pela Casa de Apoio ao Turista, pela Casa de Alphonsos Guimarãespelo Teatro do SESI.

 

                          

Fizemos esse circuito sem pressa curtindo o local, sentindo a atmosfera da cidade.

Como se trata de um quadrilátero não seria preciso voltar, no final do percurso já estávamos na Pousada do Chafariz novamente. Mas como somos teimosos fizemos o percurso em sentido inverso. 

 

Padaria lafayete

Vale como uma ótima dica. Nem sempre nós queremos fazer uma refeição 100% convencional. Essa padaria oferece um brunch (por Kilo) muito bom. Você navega variando entre frutas, salgados, tortas, bolos, sanduíches, doces, pães. É uma festa.  Outra ponderação, D. Beth tem mania, pra não dizer (no bom sentido) obsessão por tomar café com leite (preferencialmente com bolo ou doce) no final da tarde. A casa fica escondida dentro de um casario centenário. 

Anote. Rua Salvador Furtado 124. Paralela a Rua Direita.

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A Mina da passagem

Fica fora do centro urbano +- uns 6 Km. São poucas as oportunidades de você visitar uma mina de ouro. A Mina da Passagem informa ser a maior mina do mundo aberta a visitação. Hoje ela está desativada e turismo é o único negocio que ali funciona. E funciona bem, o passeio é todo narrado. O número de informações fornecidas é grande e diversificado você ouvirá dados técnicos sobre mineração, históricos sobre o ciclo do ouro e “causos” sobre as aparições dos escravos e mineradores mortos em desabamentos (imagine a segurança da tecnologia usada entre os séculos XVII e XVIII) (imagine também o respeito que se tinha por trabalhadores escravos).

Imaginem que você estará descendo o equivalente à altura de um prédio de 40/45 andares, só que em sentido inverso, voltado para o centro da Terra.

A inteligente produção da atração transformou as paredes da mina num cenário dourado. Foram colocadas pedras de Pirita (ouro de tolos) mineral que parece muito, mas não é Ouro.

 

 

 

O ingresso se considerado o tempo médio do passeio é caro, pagamos R$ 60,00 p/pessoa. Mas esse valor é relativo considerando o incomum da proposta oferecida.

Um “trenzinho” composto por vagões metálicos leva os visitantes túnel adentro. Não espere conforto o equipamento é original e foi desenvolvido para transportar carga e mineradores. O percurso pode ser classificado como tenso.

Você verá grandes salões, alguns com água represada, cavernas e imensos paredões.

É informado que foram retiradas 35 toneladas de Ouro dessa mina. Considerando que o Ouro sempre se apresenta em minúsculas partículas, imaginem quanto de terra foi escavado e retirado dessas galerias.   

Artes

No quesito talento, Mariana é um positivo destaque. Você não vai encontrar aquele amontoado de lojinhas vendendo artesanato. Mas poderá visitar um número razoável de ateliers onde artigos arte de ótima qualidade são produzidos e comercializados.  Nos site http://turismo2014.mariana.mg.gov.br/o-que-comprar estão relacionados os melhores endereços.

Não deixe de conhecer os trabalhos dos artistas

           

           

 – Hélio Petrus  – https://www.facebook.com/heliopetrus

 – Maria do Carmo Gamarano – https://www.facebook.com/pages/Atelie-Maria-Do-Carmo-   Gamarano/420374524776589

  – Elias Layon https://www.facebook.com/elias.layon.1 

  – Casa dos Artistas Mestre Athayde AMAP. e.blogspot.com.br/

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Importante

Conheça a obra de Mestre Ataíde.

Esse talentoso pintor barroco nasceu em Mariana. Procure e aprecie seus trabalhos, na Igreja de São Francisco, por exemplo.

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A Ceia de Mariana

A história dessa tela é a seguinte.

Primeiro devemos lembrar que Mariana é tida como o berço de Minas Gerais. Dessa forma, a Igreja Católica, que também tem ali suas fundamentações, e uma presença muito intensa em tudo.

Lembremos também que D. Socorro coleciona Arte Sacra e em especial reproduções da Santa Ceia. Sem esquecer que ela na condição de apreciadora de Arte Sacra está muito próxima da posição de um Mecenas. 

Essa mulher é inquieta, no melhor sentido do termo e sempre materializa seus desejos. Socorro resolveu juntar sua formação, sua atuação e seu gosto particular e retratar influências importantes em sua vida.

Teve a ideia de compor numa pintura uma ceia onde fossem encontradas pessoas importantes, representativas tanto da cidade como da sua vida em particular.

Ali estão um seu irmão mais velho, seu sogro, seu (atual ex.) marido, um seu cunhado, um mentor educacional, uma personalidade eclesiástica, um guia de turismo, um folclórico cidadão das ruas marianenses e o artista autor da tela. Cada um a critério de D. Socorro foi colocado na posição e no gestual de um dos apóstolos.

Dom Luciano Mendes de Almeida havia sido Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo antes de assumir a Arquidiocese de Mariana. Por estar investido da mais alta autoridade da Igreja na região e pelo seu histórico, era coisa conseguente Dom Luciano ocupar o lugar central, a posição do mestre nessa ceia.

Elias Layon foi escolhido para ser o autor da tela pelo seu reconhecido talento e pela admiração de D. Socorro por uma característica de sua pintura. Layon é um expert das Brumas (técnica artística onde é retratada uma névoa por sobre o elemento retratado.

Se a arte é uma inquietação, o sagrado uma coisa que transcende porque não vê-lo ou retratá-lo sob uma névoa mística. Esse véu especialíssimo está presente em diversos detalhes dessa tela.

Dom Luciano X Layon X D. Socorro

Eu vejo uma relação de amor e ódio entre D. Socorro e Layon.

Nos trabalhos de produção Dom Luciano pousou para uma foto usando seu terno preto e seu colarinho clerical. Era essa a forma de ser retratado acertada entre D. Socorro e Dom Luciano.

Layon no correr dos trabalhos resolveu colocar em Dom Luciano usando paramentos e mitra. Claro que rolou um estranhamento entre todos, mas… Dom Luciano não se apequenou com essa exacerbação do ego do artista e D. Socorro está satisfeita com o resultado final.

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Breves

Dom Luciano

Sacerdote Jesuíta, doutor em Filosofia, irmão do acadêmico Antonio Cândido. Foi Bispo Auxiliar em São Paulo até 1988. Criou a Pastoral do Menor. Seu trabalho acabou servindo de base para a elaboração do Estatuto do Menor e do Adolescente.

Saber mais sobre sua obra é coisa bem importante. Em tempos de tanta violência de tanta discórdia é válido enfatizar que a frase mais repetida por Dom Luciano sempre foi:

            – Em que posso lhe ajudar. 

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Maria do Perpétuo Socorro Eufrásio

Foi professora, além de empresária exerce advocacia. Começou a empreender servindo refeições num espaço roubado de sua casa. Batizou o restaurante de O Gaveteiro, com referência ao hábito de se esconder a comida nas gavetas da mesa se alguma visita aparecesse. 

Criou a pousada a revelia do então marido.

Hoje está empenhada na construção de uma capela (tenho certeza que não se trata de uma capelinha) num sítio de sua propriedade.

 

       

          

 

                         

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Cidades Históricas de Minas Gerais

Não se engane. As cidades histórias não são iguais. Quem afirma isso é preguiçoso, muito mal informado, ou não tem sensibilidade.

Cada uma delas conta a seu modo um pouco sobre o período áureo da corrida do ouro brasileira.

Vale a pena inclusive visitas as cidades menores, menos citadas De qualquer forma essas são imperdíveis. Veja a nossa principal interpretação sobre cada uma delas.

Mariana – É a cidade onde a Igreja está mais presente. Digo também que é a mais “classe média” de todas.

Ouro Preto – Vende a ideia de ser o centro político.

São João Del Rei – Era o recanto da Cultura e de residência da aristocracia financeira.

Tiradentes – Poesia pura. Parece que o tempo parou por ali.

Sabará – Fico com a impressão que a cultura, o jeito mineiro de ser se forjou ali.

Congonhas – As obras de Aleijadinho são imperdíveis e testemunham, inclusive politicamente, a época 

 

 

1 Comment

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