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15 de outubro de 2015
O AI-5 e o SEXO
4 de novembro de 2015

Mary Help

Mary 1

A noite em que a recatada Maria do Socorro passou a viver a alma de Mary Help.

Falei em noite, mas na verdade a estória começa na tarde daquele memorável dia.

Engomadinho, alinhado, pasta 007, pintou lá no escritório um fulano disposta a falar com o seu Mario. A solicita D. Maria do Socorro atendeu o visitante. Seu Mario não se encontrava, ofereceu por bondade um cafezinho e por delicadeza uma poltrona para que o visitante esperasse o chefe.

O rapaz aceitou. Muito a vontade, não perdeu tempo, deitou falação pra cima de D. Maria do Socorro. A inocente caiu direitinho foi dando corda, foi se embaraçando, relaxou e quando acordou estava tomando um puta beijo daquele “galã dos escritórios”.

Sintam a cena: Ele aproveita uma ida dela ao arquivo*, se aproxima, vira-lhe o rosto e sapeca-lhe a boca. Ela tem um choque que se torna maior ainda quando ela nota o Sr. Mario na porta observando tudo.

                *Esse conto é ambientado em 1980, o escritório                                                                                                                tem os recursos da época.  

Amigos leitores, D. Maria do Socorro é uma mulher de trinta e tantos anos, solteira, intacta e hermética. E todos os sentidos, imaginem o turbilhão mental dela sendo além de beijada, flagrada.

Precisou de muita água com açúcar, massagem nos pulsos e muita conversa mole pra que Maria se restabelecesse física e emocionalmente. Seu Mario foi muito legal, repetiu varias vezes ter presenciado tudo. Estar certo que a iniciativa partiu do rapaz. Que aquilo era um ultraje (essa palavra sempre acaba aparecendo em estórias do gênero). Que tomaria providências, que ela nada tinha a ser desculpar, etc. Na verdade ele não estava nem ai, um beijinho à toa, poxa, afinal ela era maior, bem maior, e saberia se cuidar. Se quisesse se cuidar, claro.

Mario sempre esticou os olhos pra Maria do Socorro, ele acreditava que aqueles sisudos “tailleur” escondiam um corpo de belas formas. Mas seu maior interesse não era sexual era colaboracionista, eu explico: Nunca nenhuma outra secretária demonstrou tanta habilidade como D. Maria do Socorro no trato com a sua (sua dele) família e principalmente com as paqueras do Mario. Olha que não era fácil, eram muitos telefonemas, muitos recados, nomes. Ela era ótima, nunca confundiu nada, nunca trocou um nome, pra matriz tinha sempre uma resposta convincente, e pra um caso urgente com qualquer filial interrompia as mais importantes reuniões. Sempre com cara de maça assumia não entender ou censurar Mario e sua vida, digamos, dupla, tripla, ou …

Mary 2

– Pronto Dona Maria do Socorro, já passou. A senhora agora toma um comprimido que eu tenho aqui – vasculhou as gavetas – Caramba, aonde é que eu coloquei? – remexeu um pouco mais – Deve estar em casa, estamos no fim do expediente, a senhora aceita uma carona? Passamos pro lá e eu lhe dou o comprimido.

– Estou bem Sr. Mario, não quero ser incômodo, diga o nome, eu mesma compro.

– Não lembro – isto é verdade, ela melhor do que ninguém sabe que ele não decora este tipo de coisa – E não é incômodo nenhum – Isto já é charme da parte dele.

– Não fica bem Dr. Mario, Dona Amália não esta em casa! – Não disse que se tratava de uma secretária atenta?

– Ora, o que é isto? Mamãe (termo usado por Mario referindo-se a esposa) teria prazer em recebê-la, mas como viajou….

Ela concordou, em 15 minutos estavam no apartamento dele. O lobo perde o pelo, mas não perde o faro. Um paquerador como aquele acaba agindo da mesma forma com todas as mulheres. Mas, posso garantir, a intenção dele não era abater mais essa presa. Ele queria somente contar pontos com ela. Afinal ela era figura muito importante no seu esquema.

Entraram, sentaram, ele se desculpou bestamente pela ausência da “mamãe”. Descolou o tal comprimido, ela preferiu (agora que estava mais calma) tomar em casa ao deitar. Ele ofereceu um Whisky, ela recusou, ele insistiu, ela acabou aceitando e sugerindo um licorzinho.

Ah! Se as mulheres soubessem que aquele inofensivo licorzinho (inofensivo, quanta ironia) é coisa tão poderosa e tão traiçoeira… Refazendo melhor o meu pensamento, é bom (aliás ótimo) que todas elas permaneçam nesta inocência ( e porque não dizer nesta santa ignorância) ingerindo aos delicados golinhos este tremendo combustível. Querem ver só?

– Mario, sabe de uma coisa? Realmente você não presta – Perceberam o efeito? Outra dica, neste ponto ela soltou os cabelos (Poucos, Mario, por exemplo, nunca havia visto Maria do Socorro sem aquele eterno birote clássico) e continuou:

– Mario, o grande paquerador! Eu finjo inocência, você sabe, mas entendo perfeitamente todas as suas jogadas, sei das suas paqueras fico sabendo de todos os seus encontros e seguro suas pontas.

-Só detesto essa sua mania de querer se mostrar inocente e “quase fiel” a todas.

Aonde ela quer chegar com este papo todo? Mario não sabe, mas é experiente não vai abrir o jogo. Não é bobo. Resolver jogar um papo de gratidão.

– É por isso que eu a considero tanto, além do seu eficiente trabalho conto também com a sua discrição – Reparem a reação terremoto começando na resposta dela.

– Discrição! Gratidão? É esta a paga de uma mulher dedicada?

Não senhores leitores, não existe nenhuma incoerência. Toda “pudica senhorita de família quase boa” pode ter seus sonhos secretos por mais ambíguos que possam parecer.

E têm mais, vocês estão esquecendo a questão do licor! Esta bebida é muito mais perigosa do que qualquer conhaque ou whisky. Pra quem não bebe, Açúcar e Álcool brigando para dominar o mesmo organismo é coisa explosiva.

Ela descalçou os sapatos, cruzou as pernas de forma relaxada e continuou:

– Pensa que eu nunca notei o seu olhar de raio X pra cima da minha roupa? Pensa que eu nunca percebi que bastava eu me aproximar da parede de vidro com um vestido mais leve pra você ficar tentando adivinhas a minha silhueta? Pensa você que eu nunca flagrei os seus olhares analisando as minhas pernas, minhas coxas?

– Ora, D. Maria do Socorro, eu sempre me relacionei com a senhora dentro de muito respeito. Claro um homem tem suas aventuras, tem seus deslizes, eu tenho as minhas, mas espero nunca ter ferido a sua integridade.

Ele mesmo deve ter achado a sua conversa tão besta que tornou a se servir de Whisky.

– Não estou querendo ser comparada ou tratada como uma destas suas fulaninhas. Eu simplesmente estou acusando você de uma total desatenção a mim como mulher.

Mario quase deixou seu copo cair

– Você teria se sentido melhor se eu a tivesse cantado?

– Não se dirija a mim desta forma, eu sou uma mulher integra!

Mary 3

Tá vendo só. Agora pouco falei em ambiguidades, uma mulher passa trinta e tantos anos da sua vida se reprimindo, ai toma uma atitude mais liberada e em seguida entra em parafuso. Continuemos. Outra dose de licor.

– Na verdade sabe o que eu acho destes anos todos da minha vida? Uma merda!

– A senhora me surpreende D. Maria do Socorro!

– Mary Help! Pra inicio de conversa, tá legal? – Neste ponto ela desbunda de vez

– Uma merda sim! Bem fedida, assim gigantesca, uma grande merda. Não casei, não conheci nada, não fiz nada, nunca dei, namorei pouco. Deu nisto: a gente fica ai tentando se apaixonar por qualquer besta que aparece com ares de D. Juan. Apaixonando? Coisa nenhuma, paixão solitária, namoro a traição. Os caras nunca ficando sabendo o que passava na minha cabeça. Tratamento respeitoso… E daí, qual o lucro? Passei a vida ouvindo estórias das outras, gozando com o corpo das outras, lendo estórias eróticas pra me fantasiar. Como eu falei uma merda!

É bom avisar: ela já tirou o casaco, esta sentada sobre as pernas no sofá, coxas a mostra e já desabotoou a blusa.

– Não estou compreendendo você, D. Maria do Socorro!

Não pensem que o papo dele é sempre tão besta assim. Dizem que “o que é do homem o bicho não come” e este bicho homem, tenha certeza, come todas que pintarem. O que esta acontecendo (aliás o que sempre acontece), é que um macho machista (?) quando tomado de assalto (e aqui a palavra esta muito bem empregada) fica assim todo babaca, sem ação.

– Mary Help, já falei, Porra! É isso mesmo, primeiro um primo, depois um professor, depois um play-boy lá de perto de casa, alguns outros sujeitos à toa e agora você. A cada novo cara uma cegueira mental, uma obsessão. E o que eu fazia? Nada, no máximo uma conversa formal, nunca ousava nada além de alguns olhares, acho que até suplicantes, que me coravam toda, pelo menos por dentro.                                                                                                                              Se você perguntar a algum deles sobre mim, esta se arriscando a ouvir outra besteira do tipo  “Estou surpreso” , ou “Quem, Maria do Socorro?”  Mas a culpa é minha, isto é um desabafo e não uma inquisição. Também, quem manda ser besta e ter dado ouvidos…..todas aquelas mentiras….Minha família me levando no bico com aquela conversa de “coisas feias”. Minhas amigas, todas falsas, aquele papo de “garota direita” “cuidado com os rapazes”. As danadas cabulavam as aulas pra ficarem se esfregando com aqueles que chamavam de seres perigosos. Perigosos mas gostosos e todas elas gostavam. Quanto tempo eu demorei pra entender tudo isto! Ou será que eu só estou entendendo agora?                                                                                                                                                                      E as Freiras do colégio, agora eu compreendo aquele olhar esquisito pra cima do vigário. Não tinha nada de veneração, tinha muito e outra coisas que também termina em ão, tesão!

– Eu acho que você pode estar até certa, mas entre lamentar o tempo perdido e agir….pense melhor. Liberte-se, passe a viver da forma como melhor você se sente.

– Assumir, você quer dizer?

– Éh… isto.

– Não, errado, primeiro porque assumir é um termo “bichana”

– E não dá na mesma, Maria do Socorro?

– Se dá na mesma ou não dá na mesma pouco interessa. Maria do Socorro, seu besta pelo menos esta noite, está morta e enterrada, quer saber de uma coisa…

Mary 4

Mary Help baixou com tudo. Botou pra fora toda a teoria aprendida nas revistas eróticas. Derrubou aquele homem com o ímpeto de 30 anos de resguardo. Cometeu com ele toda sorte de porra louquices embutidas na sua mente.

Algumas frases soltas captadas naquela “quase” luta corporal travada por estes dois animais de sangue quente. Começaram no sofá. despencaram no chão, e neste plano devoraram-se, ela com voz de gata no cio, ele com voz de telhado de zinco.

– Isto seu besta faz comigo o que você esta acostumado a fazer com aquelas desocupadas. Com aquelas vagabundas que acham que eu não tenho outra função naquela empresa a não ser cuidar da sua agenda sexual. Vai, vai mais fundo, isto.

– Mary Help, Mary Help, que bom você ter se descoberto.

– Vamos pro escritório, vamos lá, eu coloco meu óculos, prendo o meu cabelo, quando eu for mexer naquele arquivo, você me agarra, por trás, na marra como eu sempre sonhei.

– Seu cachorro, aceitei vir aqui sabendo que a “mamãe” não estava em casa, pra que?

– Ah! Sua safadinha, encalhada, enferrujada, reprimida, safadinha, planejou tudo.

– Eu não planejei nada, só sei que alguma coisa me liberou – Lembram-se do licor? – E agora você esta aqui, dentro de mim.

No dia seguinte nem D. Maria do Socorro, nem Mary Help foram trabalhar. Melhor pro Mario, não teria que encarar tão cedo essa ressaca física e moral inédita.

Ela (s) Também não apareceram nem no segundo dia, nem no terceiro dias. Deu o ar da graça no quarto (dia de ausência, que fique bem claro) através de um (já disse estamos em 1970) telegrama:

“Desculpe minha irresponsabilidade VG  problemas pessoais impedem minha volta PT Considere consumada minha demissão PT Mary Help em recesso vg desculpas pt Saudações.

Mary 5

Pelo texto, concluo que Maria do Socorro e Mary Help ainda não se conciliaram  mas muitos passos foram dados para uma futura conciliação.

E as conclusões disto tudo? Bem, que sei eu de conclusões? O máximo que posso fazer é dar noticias sobre ambos.

Sobre ele, posso contar que tanto em casa como no escritório, e principalmente no matadouro ele passou a ter um vasto e respeitável estoque de licores. Há até quem diga que ele nunca mais ofereceu Whisky a mulher nenhuma das suas relações (principalmente sexuais).

No escritório, a cada citação, refere-se a dona Maria do Socorro com ar de saudades, mesclado no pecado da gula “Aquela eficiente funcionária que nos deixou”. Reparem na malícia e no curioso do termo eficiente.

Quanto a ela, a última noticia recebida, é que foi vista em Copacabana, isto mesmo lá no Rio de Janeiro, um lugar que segundo ela, ou melhor, segundo Maria do Socorro “Não passa de um antro de irresponsáveis e inconsequentes”. Dizem que ela estava num Jipe com dois cabeludos. A noticia foi trazida por uma ex colega de escritório “Acho que era, parecia muito, mas o farol abriu tão depressa, o carro arrancou rápido, não deu pra ter certeza. Mas eu não acredito muito não. Será, logo ela ?!?!

Pra terminar mais uma coisa, se for da preferência de alguém podem trocar o titulo deste conto para “Quem nunca comeu melado….”
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Gostou? Curte esses contos onde o erotismo, se mescla com o humor?  
Recomendo………….

https://coisasdegentegrande.com.br/assedio/ 
Quando pessoas adultas se jogam num jogo de sedução,
independente do
ambiente, verdadeiramente:
Quem seduz quem? 

 

 

https://coisasdegentegrande.com.br/edificio-minister/ 
Um homem, hoje maduro abre o coração e mostra as melhores memórias
sobre uma mulher muito mais velha do que ele e sua iniciação.

 

 

 

 https://coisasdegentegrande.com.br/vem-transgredir-comigo/
É muito difícil imaginar o que alguém está pensando.
É impossível prever o limite da mente de uma mulher com uma
altíssima carga em sua libido. 

 

 

A hóspede            Vem transgredir comigo           Marido de aluguel        Edifício Minister 
A serviçal           Ele queria um homem             Orgasmo marcado           Mary Help

 

           

Cako Machini
Cako Machini
Desde 1953 também responsável pelo mundo que vivemos. Publicitário, marqueteiro, empresário. Criativo, amante das artes. Resolvido a viver o Outono de sua Vida junto a natureza, priorizando as palavras e as viagens.

9 Comments

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