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Monte Alegre do Sul

Monte Alegre do Sul pode ser definida, antes de tudo pelo termo Simpatia. Com toda certeza você pode supor que a cidade não apresenta outros atrativos. Primeiramente devo dizer, na verdade repetir que a atmosfera é ponto fundamental para que qualquer lugar nos agrade. Dessa forma falar sobre essa ótima sensação já é prenuncio de muita curtição.

Primeiramente conto o diálogo, na nossa primeira visita. Projeto Memória, um casarão secular, muito bem conservado que abriga itens que contam sobre a cidade. Recebendo informações da sorridente e bem preparada Sabrina, você (até mesmo de forma maliciosa) solta a seguinte pergunta.                                                                                                                                    – Mas você, na condição de moradora, o que mais te agrada em Monte Alegre do Sul?                   – A cordialidade, a forma simpática como vivemos aqui.

Mesmo sendo uma técnica treinada para encaminhar visitantes para pontos turísticos, ela sem titubear dá uma resposta sensacional. Sou Maduro, já viajei muito, não quero perder meu tempo com atrações frias, mecanizadas, mercantilizadas. Quero essência, recomendo essência, busco visitar locais onde antes de tudo tenhamos um ótimo impacto emocional.

A proposta dessa viagem era passar um final de semana com aquela gostosa ansiedade de descobrir um lugar interessante, e se aproximar de coisas e pessoas agradáveis. Monte Alegre do Sul foi escolhida pela boa sensação que fotos no município causaram nas pesquisas da Beth. E usando a temática “Simpatia”, levantada pela Sabrina, comemoramos o acerto da escolha.

Se não há, deveria haver uma Lei exigindo que quando alguém chega pra conhecer uma cidade, deve começar andando a pé pelo centro do município prestando atenção nas coisas e nas pessoas.

…. Eu quero que todos se sintam bem na minha cidade.

De forma consciente ou não foi esse o conceito que a Sabrina nos passou quando visitamos a casa do Projeto Memória.

Esse objetivo também estava implícito na atitude de todos os professores que encerravam uma reunião numa escola da cidade.

Passeávamos pela rua da escola e fomos cumprimentados por todos que cruzaram conosco.

Meu leitor Maduro, preste atenção nisso. Em Monte Alegre do Sul, as pessoas ainda não ficaram invisíveis.

A cidade é minha, eu a quero bela!

Ai, você nota uma casa, repara que ela tem uma varanda repleta de lindas plantas, para, contempla e repara que todo o quintal também está muitíssimo bem ajardinado. E sendo sensível fica maravilhado quando percebe que aqueles criativos moradores “esticaram” seu bom gosto, seu carinho por todo seu quintal fazendo esse emendar com a margem do riacho vizinho a seu terreno.

É uma intervenção urbana que eu nunca tinha visto. Naquele trecho nas margens do rio não cresce mato. Elas ostentam plantas ornamentais. Que coisa linda.

E claro que fomos conhecer os donos da casa. Quem nos acompanha sabe que nunca deixaríamos passar uma oportunidade dessas. Dona Lurdes e seu marido contam orgulhosos que moram ali há várias décadas e que nem lembram mais de quando começaram a cuidar do riacho. Diariamente fiscalizam a presença de lixo. Frequentemente trazem novas mudas. Enfim mostram na prática o respeito e o amor que tem por aquele lugar. Que sim é seu muito seu! Vocês já imaginaram que maravilha se as pessoas (no melhor sentido) se apropriassem assim de espaços urbanos.

Quem age dessa maneira atrai a felicidade, fica amigo, cúmplice e parceiro da natureza. D. Lurdes nos contou que a natureza nomeou mais outra guardiã para aquele lugar.  Nina, uma arara Canindé que se apresentou para colaborar com a beleza do paisagismo. Nina vive solta, segundo D. Lurdes, faz vários anos apareceu do nada, fui se mostrando amistosa, aceitou comida, carinho, permite ser tocada. Tem liberdade para entrar e sair da casa (o que implica na permanência de uma janela parcialmente aberta) quando bem entende. Nina

É muito independente, as vezes passa o dia, ou a noite fora de casa, mas normalmente se apresenta no horário do café da manhã. Praticamente exige biscoito ou pão torrado.

 

O espaço público permeia a arte. A arte permeia o espaço público.

Ai……… você vê uma movimentação incomum na praça principal. Em frente a escadaria da igreja matriz do Bom Senhor está sendo montada uma estrutura. Não consigo definir. Pergunto. Sou informado que está sendo instalado um telão para projeção de um filme. Sou informado que o filme foi locado no município. Me apontam o diretor do filme. Advinha se não rolou uma simpática conversa.

Sobre Rodas

(Assista ao trailer)     https://www.youtube.com/watch?v=nGHqX7B6Svc

Premiado nos festivais de Toronto, Chicago e Rio de Janeiro, com roteiro e direção de Mauro D’Addio, Sobre Rodas, tem como protagonistas os jovens Lara Boldorini e Cauã Martins, foi gravado inteiramente no município. Conta a história de dois jovens, colegas de colégio que se aproximam, se interessam por suas necessidades e se unem em busca de suas aspirações.

Lucas virou cadeirante e precisava ganhar autonomia. Laís queria conhecer o pai. Com a maravilhosa irresponsabilidade dos adolescentes, eles saem pelo mundo perseguindo uma pista sobre o pai de Laís.

Eu adorei. Um filme real, possível, feito com coisas nossas, gente nossa. Uma história sensível, que trás muitas reflexões. 

Sobre Rodas é uma realização do SESC Campinas com apoio da Prefeitura Municipal de Monte Alegre do Sul. 

E que maravilhosa experiência de se ver sentado na escadaria da igreja, assistindo descontraidamente ao filme. Muita gente trouxe cadeiras de casa. Várias pessoas se embrulharam em cobertores. Aliás (deve ser havido alguma grande venda do artigo), contei mais de 20 pessoas enroladas em cobertores cor-de-rosa(?)

Ficamos brincando que havíamos entrado no verdadeiro espírito do “Cine Holliúdy”.

Quer coisa mais simpática do que num sábado a noite assistir cinema a céu aberto na praça da matriz.

Não está no cardápio, mas faz parte do serviço.

No cardápio não consta, mas indo ao restaurante Aldeia do Chopp, qualquer prato vem acompanhado de muita simpatia.

Precisa haver forte motivação para repetirmos o restaurante. Nesse caso, muito pouco pela localização (grudado na praça da igreja) e muito mais para atender a solicitação da Isabela que durante nosso almoço na casa, foi extremamente solicita, contou muito sobre a cidade e prometeu continuar a ótima conversa que estávamos mantendo.

A poesia é para todos.

Monte Alegre do Sul tem um mirante adornado por uma estátua de Cristo. A vista de região é interessante. Gosto muito de lugares de onde é possível se avistar grandes distancias.

Quando subimos o morro, final da tarde de sábado, ficamos um tanto frustrados, não seria possível ver o crepúsculo. O local é fechado a visitação após as 17:00h. Posso entender a questão da segurança, etc. etc., mas crepúsculo é (pra nós) uma “instituição”. 

Uma curiosidade. O nosso era o único dos quatros carros ali estacionados que não era da cidade.

Eventos

Quem gosta de curtir datas festivas pode aproveitar para conhecer Monte Alegre do Sul em Julho quando ocorre o Festival do Morango (o município foi o pioneiro no cultivo da fruta em solo paulista e é o grande fornecedor de mudas para todo o país). Em Agosto temos as tradicionais e concorridas festividades em louvor ao padroeiro Bom jesus.

Simpatia

Vá a Monte Alegre do Sul, visite seu balneário, o pitoresco distrito de Mostarda, as marcas da ferrovia Mogiana que estão por toda parte.

Curta as cachoeiras no entorno da cidade. Veja suas maravilhosas pontes de ferro, mas não esqueça, você está indo em busca de simpatia. Simpatia!

   

 

 

 

Cako Machini
Cako Machini
Desde 1953 também responsável pelo mundo que vivemos. Publicitário, marqueteiro, empresário. Criativo, amante das artes. Resolvido a viver o Outono de sua Vida junto a natureza, priorizando as palavras e as viagens.

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