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Paraty

Paraty

Paraty é uma daquelas cidades icônicas que se deve conhecer. Paraty, que agora é reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Natural e Cultural do mundo, é considerada como o mais harmônico conjunto arquitetônico colonial brasileiro. Harmônico é uma referência ao fato dela ter um traçado alinhado e definido. Consta que engenheiros militares portugueses foram os idealizadores e executores desse projeto.

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O centro histórico de Paraty é um conjunto de 33 quarteirões que chegam ao século XXI muito bem preservados. E esse estado de preservação acabou se dando por condições adversas sofridas pelo município.

Paraty foi edificada para ser o porto de saída dos navios que levavam o ouro brasileiro para a Europa. Portugal criou a Estrada Real, um caminho aberto e fiscalizado ligando a região de mineração (Minas Gerais) a um porto de mar, e Paraty foi o primeiro porto utilizado. Dai edificou-se a cidade. Algum tempo depois o traçado da Estrada Real foi alterado, criou-se o Caminho Novo e o novo porto, já dentro da Baia de Guanabara economizava muitos dias de percurso.

Não existia ligação terrestre entre Paraty e Rio de Janeiro. Ficando o Caminho Velho da Estrada Real, praticamente abandonado, Paraty sofreu um isolamento. Esse “desinteresse” foi o fator primordial da preservação do centro histórico de Paraty.

Essa renovação de caminhos, aberturas de estradas, construção de ferrovias, essa mutação nos transportes, nas ligações entre as cidades, é fator decisivo para ascensão e estagnação de muitas e muitas cidades, e explicação para encontrarmos em diversos locais os tempos passados ali mantidos.

Se viajarem para a Turquia, não deixem de conhecer Éfeso, uma cidade milenar (século 10 ac) que intacta está sendo desenterrada desde a década de 1950.

 

Paraty foi uma cidade planejada para ser inundada. Exatamente. Estudando o fluxo e o refluxo das marés daquela baia, as suas principais ruas foram planejadas para exatamente receberem durante a noite as águas da maré alta. Segurança esse era o motivo. Entre a cidade e o mar foi erguido um pequeno muro. Portanto em pequenos barcos ninguém passava. Esses muros tinham (tem) várias fendas. A água entra e sai a vontade. Paraty recebia e estocava até o próximo embarque, muito ouro. Armazenava suprimentos que deveriam ir parar no sertão. Era uma tentação saqueá-la. Tomá-la de assalto durante a noite era no mínimo muito barulhento.

Não deixa de ser uma tremenda atração ver pela manhã ruas ainda cheias de água.

A engenharia previa uma calçada mais alta que a rua +- uns 40 cm, e as casas com degraus de +- a mesma altura. Isso criava segurança contra enchentes e dificultava ações de saqueadores.

Existem comentários que a ideia de admitir a entrada das águas na cidade seria uma maneira de deixar sempre limpas as ruas. Mas como essa é uma teoria sem nenhum glamour, resolvi ignora-la.

O casario de Paraty é edificado ostentando diversos ícones maçônicos. Isso tem a ver com as classes dominantes da época.

Hoje a imensa maioria das construções do centro histórico está ocupada por restaurantes e lojas de artesanato. A região não tem uma cultura transformada em artes plásticas, genuína. Tudo que é oferecido guarda semelhança com o artesanato oferecido na maioria das cidades mineiras e no Vale do Paraíba. Fora das lojas, nas ruas indígenas oferecem peças de artesanato de sua cultura. Paraty comporta duas aldeias, e um bom número de indígenas pode ser visto na cidade.

Na culinária se atente para tendências bem distintas. Em todo local icônico você encontra pessoas vindas principalmente da Europa que se encantam com o lugar e fincam raízes. Não será difícil esbarrar com chefs nessas condições. É muito comum também haver uma aproximação de culturas e nesse caso existe a valorização da Cozinha Caiçara onde peixes e Banana da terra, são prestigiados.

O termo Paraty já foi sinônimo/referência de aguardente. A cidade é famosa e respeitável produtora de cachaça. Existem tradicionais alambiques funcionando desde o século XIX.

Nessa simbiose de chefs oriundos da Europa, Cozinha Caiçara, tradições da terra, influenciados pelo vício da Gourmetização, são oferecidos muitos pratos onde ingredientes, banana, peixe, legumes são flambados na cachaça. Sempre vale o exótico e todo viajante, além de respeitar, precisa conhecer, experimentar as coisas que a terra visitada oferece.

Ilha Grande

O título recebido pela UNESCO de Patrimônio Mundial (Cultural e Natural) envolve além de Paraty a Ilha Grande. Esse reconhecimento é honroso criterioso e é o único em território brasileiro de caráter misto. Natural e Cultural.

Conhecer a Ilha Grande passa a ser “obrigatório”.

A ilha pode ser acessada por Paraty ou por Angra dos Reis. O percurso leva +- 1:30 hs.

Fiquei ansioso por conhecê-la. Numa próxima vista a região irei até lá. Quem está planejando ir até Paraty ou Angra, por favor, não percam a oportunidade.

A UNESCO não daria essa honraria a um local não merecedor.

Passeio de escuna

Tradicionalíssimo. Paraty está numa baia, existem dezenas de ilhas na região. Existe uma razoável estrutura para fornecer aos turistas um passeio de escuna percorrendo parte da baia.

Pelo menos uma vez, vale a pena. Num determinado ponto, os barcos atracam e (local devidamente sevado) atirando alimento na água vê-se um cardume enorme de manifestar.

FLIP

A Feira Literária de Paraty é tradicional. Cada edição recebe grandes personalidades da cultura nacional e convidados internacionais. O evento é de qualidade e atrai muita gente. São montadas várias tendas com programações distintas sempre concorridas.

 

Participar do evento, sempre vale a pena, conciliar conhecer e curtir Paraty participando da feira é programação não recomendada. O número de visitantes é muito alto e tudo fica complicado. O mais lúcido para quem quer frequentar a FLIP, é priorizar a cultura e sorrir em função do evento ter como cenário um Patrimônio Cultural Mundial.

 

Acesso

Dependendo do esquema da viagem, a Rio- Santos, é o caminho natural.

Nessa última estada em Paraty fizemos o roteiro Guaratinguetá, Cunha, Paraty.

É um trajeto lindo, bem interessante, que apresenta ótimas paisagens. O trecho Cunha – Paraty, que é mais atrativo tem seu traçado com base na Estrada Real e atravessa Parques Estaduais de reserva ambiental.

Esse pode ser uma excelente opção de roteiro. Cunha é a cidade das belezas. Guaratinguetá, em função das referências de seu filho mais ilustre Santo Frei Antonio Galvão, merece ser vista.

 

 

Ilustres em Paraty

A primeira vez que estive em Paraty, fiquei hospedado na Pousada Pardieiro. Uma casa ótima, requintada. Era propriedade do enorme Paulo Autran. Se ele era o real condutor do estabelecimento, não sei, mas tudo tinha a leveza o aconchego, da alma sensível de um artista nesse nível. Tudo era diferenciado, bem cuidado e único. Os chalés eram isolados e encravados não num jardim, mas numa área com ótima vegetação. O refinamento estava presente em tudo. Não havia proibições, havia instruções. Livros e cultura estavam disponíveis em qualquer ponto.

Pelo que vi no site o estabelecimento continua mantendo o mesmo requinte. Eu disse requinte, não falei luxo ou ostentação. Entenderam?

                                           

Voltarei e Pousada Pardieiro será nosso abrigo.

Outra figura impar do nosso teatro também envolvida com hospedagem em Paraty é Maria Della Costa. Durante décadas (até 2011) essa super dama do teatro dirigiu o Hotel Coxixo. Não me hospedei mas conheci o estabelecimento.

O comentário será o mesmo, a sensibilidade e o talento dessa grande artista estavam presentes em cada detalhe.

Cervejaria Caboré

O rio Perequê-açu contorna Paraty, numa das margens desse rio está a Av. Octávio Gama que fica, portanto fora do centro histórico. Esse é um bairro elegante com imóveis amplos e modernos. Nessa avenida você encontra a Cervejaria Caboré. O estabelecimento serve cervejas artesanais, e é um excelente restaurante. Instalações boas, decoração (pinturas murais) ótima, excelente comida, bons preços.

Esse é um dos pouquíssimos locais que apresentam música ao vivo e eu não fiz nenhuma ressalva, pelo contrário fui cumprimentar e conversar com o Fulano, um músico de primeira que faz seu trabalho de forma muito bem feita.

Normalmente descarto frequentar estabelecimentos que apresentem música ao vivo por ser esse um motivo estressante, pela qualidade do som, pelo, volume, pelo repertório, pela inconveniência. Na Caboré não, Fulano é ótimo, sabe equacionar som do instrumento e do play black com a voz, trabalha no volume exato e tem bom gosto. Parabéns.

 

Jabaquara

Bairro de Paraty, praticamente grudado ao centro histórico, mercê ser visitado. Excelentes pousadas, bons restaurantes. Oferece praia para ser curtida.

É valido você dedicar um dia, melhor seria um tarde para descansar e curtir.

 

Restaurante La luna

Localizado nas areias da praia do Jabaquara. Não se trata de um quiosque. É um restaurante pé-na-areia com comida de primeira, carta de vinhos, carta de cervejas, tudo que um restaurante gourmet tem direito mais o diferencial de estar descontraidamente instalado na praia.

Ótimo para qualquer parte do dia e melhor ainda para passar a noite. Sim, esse é um estabelecimento boêmio, com cozinha servindo até tarde e muito charme em todos os sentidos.

Restaurante La Luna, o nome homenageia essa poética figura que sobe aos céus aparecendo por cima do oceano, oferecendo a todos um momento mágico.

O ambiente é bem liberal, leve, alegre. Todos os públicos descontraídos e charmosos se sentem muito bem ali.

Ótimo lugar para se enamorar e namorar. Indo a Paraty, La luna deve ser seu endereço certe de uma de suas noites.

              
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Cako Machini
Cako Machini
Desde 1953 também responsável pelo mundo que vivemos. Publicitário, marqueteiro, empresário. Criativo, amante das artes. Resolvido a viver o Outono de sua Vida junto a natureza, priorizando as palavras e as viagens.

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