Vinhos Finos de Altitude. Serra Catarinense.

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Vinhos Finos de Altitude. Serra Catarinense.

         Nossos textos contam experiências em viagens realizadas. Nessa vez vamos escrever sobre um roteiro que está sendo planejado. O sensacional da viagem é ela ser uma curtição feita várias vezes. Uma delas, claro, quando ela está sendo idealizada.                                                                                                                        Uvas

         E se nossa proposta é tornar melhor, mais curtida a sua viagem através da nossa experiência, é super válido publicar matérias contando o planejamento. Gente é ótimo planejar uma viagem. Essa matéria conta por quais motivos nos decidimos por esse roteiro.

         Amigos. No início de Janeiro iremos percorrer a Serra Catarinense. Por quê? Por que será verão, as temperaturas estarão altas e as praias lotadas. Esse é o momento ideal para se pensar em esquemas alternativos. Melhor seria dizer opostos.

         A ideia surgiu quando lemos uma matéria da sommelière Meriane Sander sobre um projeto vitorioso implantado na Serra Catarinense. Gostei da matéria. Ela escreve com detalhes uma proposta interessante, fazer um roteiro buscando boa gastronomia e aproximação com a emergente e repito vitoriosa indústria vinícola da região. Vamos degustar os Vinhos Finos de Altitude da Serra Catarinense.

Eno Turismo Fugiremos do calor excessivo do verão. Não iremos disputar um palmo de areia com ninguém. Conheceremos uma região nova com paisagens serranas incríveis.  Falando sobre os “Vinhos Finos de Altitude”, ela nos conta que os vinhedos estão entre 900 a 1400 m de altitude, isso dá origem ao termo Vinho de Altitude, o conceito é que as regiões altas são mais frias e essa temperatura melhora o vinho a ser produzido. Conta a especialista que a proposta dos produtores é confirmar ser aquela uma promissora região produtora de vinhos finos.

         Vamos conhecer as realizações da ACAVITIS, Associação Catarinense dos Produtores de Vinhos Finos de Altitude, que está fazendo um trabalho de amplo espectro. Criando mão de obra especializada. Divulgando o produto final e estabelecendo normas e boas práticas para atingir o objetivo maior que é tornar a região uma referência em Vinhos Finos.

Mapa

         Tenho curiosidade em saber quais providencias e opções os produtores estão tomando para assegurar a manutenção da alta qualidade. Não entendo nada sobre produção de vinhos, mas como apreciador (amador por enquanto), quero saber mais.

Nesse nosso Enoturismo (repito, turismo ligado ao vinho) queremos conhecer um pouco mais sobre tudo. Ficamos muito interessados nas indicações gastronômicas do que pode ser harmonizado com os vinhos da região. Eles recomendam Frescal, Lingüiça Campeira, Truta e Pinhão.

         Adoro Pinhão, fui pesquisar e encontrei citações de Nhoque de Pinhão, Tapas de Pinhão com Palmito Pupunha, Almôndegas de Pinhão ao sugo, Arroz de Pinhão. Tenho certeza que ficarei envergonhado frente a balança mais estou curioso pelo Doce de Pinhão, que parece um super brigadeiro amolecido, tem uma cara ótima e uma receita “indecente”.

         Frescal, vejam que interessante, é uma espécie de carne seca típica da Serra Catarinense O processo de preparo dessa carne é relativamente simples, vou tentar produzir algumas peças.

         Não consegui saber nada de curioso ou diferente sobre a Linguiça Campeira. Mas de qualquer forma essa culinária oferecida pelo povo da Serra Catarinense tem um Appetite Appel sensacional.

Vinhos 1

Texto

A sommelière Meriane Sander cita nominalmente a Vinícola Villaggio Bassetti estabelecida em São Joaquim. Conferi as indicações da especialista. A vinícola se apresenta muito bem num site de qualidade explanando sobre sua proposta de produção e seu receptivo para os turistas. Quero conhecer o trabalho de quem assim identifica o produto de seu trabalho…. “Feitos com Paixão, consumidos com Prazer”…  A premissa da qual eles partem para orientar a empresa é super válida 

          “A cultura regional define o tipo de vinho que é produzido em determinado lugar. Conhecer  este lugar, os costumes de seus moradores, sua música, seu idioma, sua alimentação e suas paisagens faz da viagem um prazer para todos os sentidos: os ouvidos, os olhos, o nariz, as mãos  e a boca, que enviam para a memória as  sensações percebidas”.

          Vou agendar, e curtir a programação oferecida. Visitação aos vinhedos, a produção. Explanação sobre Viticultura e Enologia. Degustação de seus produtos e da Culinária típica da região.

         Verifiquei que Eduardo Bassetti, titular dessa vinícola tem um interessante blog sobre vinho. Uma pessoa tão integrada a seu trabalho deve oferecer muito em termos de produto, hospitalidade e boa conversa.

         Passeando pelo portfólio da Vinícola Villaggio Bassetti, fiquei interessado pelos seguintes produtos.     

cardápio        

cardápio 2  __________________________________________________________________________

Bacco

Existem na região mais de outras 20 vinícolas que se empenham em receber da melhor maneira turistas e oferecem programas receptivos interessantes. Vou pensar em selecionar mais algum estabelecimento para visitar.

Já estive no interior de Santa Catarina. Faz muito tempo. Era uma época onde eu ainda não tinha amadurecido o suficiente para apreciar a simplicidade, não estava tarado por história, por política, não havia deixado meu lado “caipira bairrista” se expor. Estou entusiasmado em novamente estar nessa região respirando a mistura das influências alemãs e italianas. 

O ponto central do roteiro será São Joaquim. Conhecida como a mais fria cidade do Brasil. Infla quando o termômetro oscila para baixo recebendo visitantes que pretendem ver neve.

São Joaquim

         Seu maior negocio é a produção de frutas em especial o cultivo da Maça. É comum encontrar macieiras plantadas em qualquer tipo de propriedade, até mesmo em quintais de casa urbanas e pequenos sítios (nunca vi nem colhi uma maça no pé). Outra coisa linda e facilmente encontrada são as cerejeiras. Vejamos até quanto a produção de Vinhos Finos de Altitude irão impactar positivamente a cidade.

Preciso definir como e onde essa viagem começa e acaba. A duração prevista será de 7/10 dias. Não quero rodar de automóvel de São Paulo até lá seria cansativo e demorado.

Garuda

        Pretendo pedir a ajuda da nossa amigona Judy da Garuda Travel para viabilizar a ida aérea até Florianópolis, a possível passagem de um ou dois dias em Floripa e a logística de hotéis em São Joaquim e em alguma outra cidade que vier a fazer parte do roteiro. Judy é uma empresária muito atenciosa e competente. Sabe muito sobre os principais destinos, sempre tem um felicíssima sugestão e nos apóia demais nos detalhes. Ela tem um check list perfeito para deixar qualquer pacote completo e revisado.

      Tenho certeza que , como sempre, um contato com a Judy sempre acaba chegando no tema “uma viagem a Ásia”. Ela conhece a região como poucos. Conta coisas sensacionais. Mostra um material incrível. Judy é cativante e a Tailândia, a Polinésia, o Tahiti, são sedutores.    ________________________________________________________________________________________

Quem sai de Florianópolis tem duas opções para chegar a São Joaquim.

Alternativa Litoral, percorrendo 272 km que seria rodar um bom trecho da BR 101 passando por                    Palhoça, Garopaba, Imbituba, Lagoa do Imarui, Laguna. Nesse roteiro além de muitas praias recomendadas temos o município de Laguna que eu estaria particularmente interessado em conhecer. Laguna foi um marco. A linha imaginária que dividia o novo mundo em domínio Espanholdomínio Português, passava nessa cidade. São mais de 600 edificações tombadas pelo Patrimônio Histórico.

Alternativa Interior num percurso de 230 km. Como essa será uma viagem serrana, uma alternativa de verão, será a opção escolhida. Esse percurso nos leva a conhecer pelo caminho.

Santo Amaro da Imperatriz – Foi a primeira estância termal brasileira constituída por decreto de D. João VI. Recebeu mais tarde o casal imperial D. Pedro II e a imperatriz Teresa Cristina que impulsionaram a cidade.

Águas Mornas  – Outro centro termal. Cidade de colonização Alemã. Muitas cachoeiras e paisagens serranas.

Alfredo Wagner – Cidade onde foi descoberto um fóssil com 220.000.000 de anos. Outra curiosidade – atração é o túmulo do Soldadinho. Foi encontrado congelado o corpo de um soldado. O local do seu túmulo é muito visitado e os frequentadores acreditam ser ele uma intervenção milagrosa.  

A cidade é prodiga em lendas e superstições. Vontade de conversar com o povo para saber mais sobre a lenda do Gritador, dos Bugres da Pedra Branca, do Nego Sôni, da Mulher de Branco da Serra da Boa Vista. Alfredo Ramos é ideal pra quem gosta de muita prosa nos botequins da periferia da cidade.

UrubiciUrubici – Muito bem cotada. Alguns a consideram a mais bonita cidade da serra.  A natureza do município é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

Passeio obrigatório Morro da Igreja, o ponto habitado mais alto do sul do Brasil, 1822 m de altitude. Dependendo da visibilidade você conseguirá enxergar o Atlântico. De lá se avista a incrível Pedra Furada. Passarei no mínimo 1 dia nessa cidade.

Urubici 2                     Urubici 1

A sommelière Meriane Sander, em seu texto toca na região do Vale do Contestado.  Fui pesquisar sobre a região e descobri fundamentos importantes de um fato histórico que conhecia superficialmente.

GuerraA Guerra do Contestado

Foi surpresa para mim e certamente será para a imensa maioria dos leitores saber que essa foi uma das mais sangrentas revoltas populares ocorridas no Brasil. Entre 1912 e 1916, mais de 20.000 camponeses residentes na região (que, aliás, eram liderados pelo Monge José Maria) enfrentaram metade de todo efetivo militar brasileiro. A disputa era a intenção do governo federal da época em desapropriar e entregar toda a região para a Brazil Railway Company, uma empresa inglesa

Guerra 2

         Nunca foi muito do agrado das classes dominantes, deixar as negociatas com multinacionais, a repressão as demandas das classes menos favorecidas, o senso nacionalista, os movimentos de proteção ao meio ambiente, muito expostas por isso desde sempre importantes manifestações da nossa história foram obscurecidas pelos historiadores oficiais. Foi assim com Canudos, Farrapos, Balaiada, Palmares.

         Encontrei muitas indicações que essa revolta, exemplo de soberania, resistência, ainda está muito presente e muito se fala sobre isso na região. Tenho certeza que terei muitos longos papos sobre o assunto. Adoro puxar conversa com pessoas simples, em lugares mais simples ainda e me deliciar com os causos contados. Não me importa o quanto de “folclore” existe nessas narrativas. É assim que está registrado na cultura popular e é isso que importa.                                                                                                                                                                                            No contexto do Ecoturismo a Serra e o Vale do Contestado estão inseridos na mesma região produtora. Geograficamente falando querendo ir até essa região terei de dar um esticada superior a 200 km. Estou refletindo. Treze Tílias  As principais cidades do vale do Contestado a serem visitadas sobre o ponto de vista histórico seriam Caçador e Irani.

A cidade de Treze Tílias é considerada a Tirol brasileira. Contam maravilhas da forma como em tudo, na cidade toda fica evidente sua colonização. Qualquer edificação tem adornos em madeira talhada e acompanha o estilo Alpino. Na questão do Ecoturismo são destaques Tangará, Pinheiro Preto e Videira que tem uma interessante história. A cidade é a união de duas povoações distintas, Alemã e Italiana que mesmo distintas eram tão próximas que deram origem a uma só cidade. 

Esse encontro de imigrantes de diferentes culturas. Essa  questão de resistência política. Presença religiosa, estou empolgado, isso vai render muita conversa.

 

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