Dom Rosse Cavaca

Nelson Rodrigues, estava errado!
19 de janeiro de 2016
Deus, os homens, o cavalo e o camelo.
25 de janeiro de 2016

Dom Rosse Cavaca

Dom RosseDom Rosse Cavaca

Passei boa parte da minha vida sendo chamado de “Engraçadinho”. Sempre me orgulhei de ser um razoável “Contador de Causos”. Estabeleci para minha conduta um princípio (ou uma boa desculpa) Posso ser sério sem necessidade de ser sisudo.

Então que merda de eu estar a um puta tempo escrevendo sobre coisas desagradáveis! Cadê o humor que sempre enalteci como mais contundente forma de expressão?

Tá certo, a atual conjuntura não está ajudando muito. O mais ilustre dos brasileiros, Deus (infelizmente) deve estar muito ocupado com coisas mais importantes do que minha crise criativa. 

Não é desculpa dizer que os políticos estão me deixando muito ocupado. O Lúdico tem que prevalecer. Até porque quem não é sério são eles. Tenho que ser criativo o suficiente para produzir textos que agradem primeiro a mim. E gosto do humor.

Um dos propósitos definidos nessa autocrítica é Perseverar!. E vou começar criando um clima. Faço hoje uma homenagem a José Martins de Araújo Jr.

Não conhece? Calma o talento desse cara é inversamente proporcional a sua fama. Outra dica. Ele se auto-intitulou (legal esse termo, significa – Dar um título a si próprio. E foi isso mesmo que ele fez) Dom Rosse Cavaca. Era assim que ele assinava seus trabalhos. Não ajudou muito, né?

A frase da chamada é desse cara que não viveu muito mas atuou sempre dentro da maior porralouquice. Ele era um praticante convicto do Non Sense. Por coerência morreu jovem e num acidente com uma Lambreta.

Em 1961 lança (edição e distribuição independentes) O Amor em Decúbito, coletânea de trabalhos do autor na sua mais frequente pratica, Frases e textos curtíssimos. Como campanha de divulgação o livro foi colocado a venda pelo valor de Cr$ 995,00 (Cruzeiros) e foi anunciado como….”o livro que já vem com o troco”. Uma nota (falsa, vejam só) de Cr$ 5,00 acompanhava o livro.

Dom Rosse 2                        Dom Rosse 3

Vai ai uma mostra do trabalho desse “frasista” e a recomendação de que leiam sobre outro notável (esse menos anônimo) do humor nacional, Aparício, o Barão de Itararé. Tem um bom trecho sobre ele na matéria que conta sobre “A famosa gripe do Pasquim”

Eu gosto, curtam.

A Bíblia conta à sua maneira que Adão também comia maçãs em outra macieira.
A sífilis e as capitanias eram hereditárias.
Acredito na sua honestidade mas a quadrilha já está formada.
Agora gostaria que as senhoras fizessem silêncio, mas todas ao mesmo tempo.
Alguns átomos também se consideravam íntegros.
Bebeu veneno e o legista descobriu que era uma solução.
Bons tempos aqueles! Como se ganhava pouco!
“Criminosos brasileiros brilham na Inglaterra, cuja polícia só está preparada para crimes inteligentes”.
De tanto ver triunfar as nulidades, resolvi fazer uma tentativa.
Depressa, Pedro! Grite logo, que estamos às margens do Ipiranga e a letra do hino já está pronta.
É a quinta massa fria vinda do Sul que o Rio desmoraliza.
É tanta polícia que a gente fica sem a mínima garantia.
Flagrei minha mulher me pegando em flagrante.
Há milhares de notas falsas em circulação, mas tão prestativas que conquistaram a confiança de todos.
Humoristas lutam agora por um mundo menos engraçado.
Letra V da cartilha contemporânea? Vina viu vovô se virando.
Morreu de enfarte o João. Comentário geral: um ótimo coração.
Na promiscuidade dos bairros que crescem em sentido vertical, há binóculos de comprovada experiência sexual.
Não é para te elogiar não, mas o enterro do teu pai estava um show.
Os dois são Deuses, mas o da direita tem mais experiência.
Que corrupção é esta que a gente morre sem conseguir atingi-la?
Que foi que você sentiu quando soube que havia nascido no Brasil?
Sem querer foi falindo, falindo, até falecer
Só sabe contar pré-histórias.
Tem cura, doutor? Se tem, vamos desenterrá-lo.

Alguns viveiros fazem morrer de inveja os pássaros em liberdade.

2 Comments

  1. Márcia Araujo disse:

    Um riso em decúbito é genial!
    As frases e o contexto da produção do livro.
    Cavaca atual no filme Pluft Fantasminha, de Maria Clara Machado. Atuol como publicitário na Galo Xavier, trabalhou na Continental, Excelcior e Globo.
    No Teatro, na peça Mambembe.
    Um gênio
    Obrigada

    • Cako Machini disse:

      Obrigado a você que está enriquecendo meu trabalho com essas informações.
      Uma proposta (que não é indecorosa), escreva um texto sobre o Cavaca, publicaremos em anexo a essa matéria. Com crédito sobre a autora, claro.
      Ofereço meu contato, quero você mais próxima. Aceite meu sorriso.
      [email protected]

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *