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20 de novembro de 2017
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22 de dezembro de 2017

Sabará

Sabará

Sabará

O que temos de interessante em Sabará? Ora você está na terra das riquezas minerais. Garimpe! Você encontrará a riqueza da Cultura dos Quintais. Dos quintais vêm as Jabuticabas, as Palmas Barrocas, a Ora-pro-nobis, a Renda Turca de bicos.

 

 

Em Tupi Guarani, Sabará significa – Grandes olhos brilhantes. A imaginária popular interpretou isso como – Local onde grandes pedras brilhantes são encontradas.  Isso foi mais do que motivo para Fernão Dias Paes bandeirante paulista que ganhou o apelido de Caçador de Esmeraldas, ir para aquelas bandas. 

 

              Borba Gato (aquele bandeirante retratado naquela grotesca estátua na Av. Santo Amaro, em São Paulo), era seu genro e foi figura importante na montagem dos povoamentos na região de garimpo. Ambos são relevantes na história de Sabará.

Aliás, temos uma “pegadinha”. Existe em Sabará a Casa De Borba Gato. O personagem e só homenageado, ele nunca morou lá. Essa edificação foi construída no princípio do século XVIII. Aqui funciona uma biblioteca que abriga o mais importante acervo sobre o Ciclo do Ouro.      

O andador deve ter ouvidos e olhos apurados. Sabará não é exatamente o expoente máximo entre as cidades históricas mineiras, mas tem seu charme e principalmente suas exclusividades. Nós os maduros aprimoramos essa percepção.  

Quem já viu uma cidade histórica mineira já viu todas. Mentira! Viu uma. Mineirices que serão comuns em toda parte, cada cidade tem seus peculiares e Sabará tem as suas características próprias. Sabará tem o que eles chamam de Cultura dos quintais. Dos quintais vêm as jabuticabas, a Ora-pro-nobis, as bananas. Os quintais testemunharam os trabalhos comunitários.

Sabará, na prosa de seus moradores é muito orgulhosa de seu passado. Essa vila durante o ciclo do Ouro foi a maior comarca do Brasil. O interior do país tinha pouca ocupação e os aldeamentos surgiam sempre em função da especulação sobre a mineração. Essa comarca, no Brasil que conhecemos hoje chegaria do interior de São Paulo ao nordeste.

Sabará foi importante porto fluvial, portanto importante centro comercial. O Rio das Velhas foi usado como via de transporte.

Pelo próprio bem de Sabará, considero válido afirmar que a política de apoio ao Turismo não está a altura do seu potencial. Não aceito chegar numa cidade e encontrar museu fechado, igreja fechada. A administração pública deve prover  de todas as formas a iniciativa pública e privada para servir ao cliente, ao turista. Tudo deve estar a disposição do Turista. Não é o turista que deve se sujeitar a horários e critérios.

Sabará está geograficamente inserida num território farto em atrações que permite a organização de diversos circuitos. Sabará tem proximidade com Belo Horizonte, com Brumadinho onde temos o Instituto Inhotim. Não faz sentido encontrarmos detalhes negativos.

Destaques

Museu do Ouro.

Visite a amaldiçoada casa de fundição de Sabará. O Museu do Ouro funciona no local para onde era levado todo Ouro encontrado na região. Ali o metal era fundido, formatado em barras que recebiam o selo da coroa e ali eram retidos os 25% referente ao Imposto do Quinto. Essa taxação considerada abusiva por todos, é a origem do comentário “amaldiçoada”.

                                   ………………divagando………….

                        A Coroa Portuguesa cobrava 25% de imposto e isso causou uma insurgência nacional. Hoje não temos domínio externo, mas o organismo estatal cobra +- 60% de tudo que produzimos. Uma enorme parte desse valor tem destinação no mínimo duvidosa (essa opinião é unanimidade nacional). E nossa sociedade se perpetua na passividade………………

É interessante você ali estar e visualizar com a mente o funcionamento daquele local. O maquinário, os equipamentos lá estão, parece que a qualquer momento a rotina da fundição do ouro será retomada. Até os ferros onde eram aprisionados os negros escravos podem ser ali vistos.

Chafariz Kaquende

É muito comum encontrar nos centros históricos das cidades bebedouros e chafarizes que forneciam água para a população. Incomum é vermos que em Sabará, até hoje o chafariz está em uso dentro da sua exata função, fornecer água para a população.                                                                                          O Chafariz Kaquente foi construído em 1752 e desde sempre a população vai até lá se abastecer. Ficamos lá algum tempo e vimos muitas e muitas pessoas encherem e levarem galões. Adoro conversar com as pessoas. Sou curioso por vocação.

A pergunta mais simples repetida a todos. – Essa água é boa? Sempre foi respondida positivamente, mas nunca foi acompanhada de alguma justificativa. Tentei questionar se seria aquela algum tipo de água mineral, ninguém afirmou nada de positivo. Assim podemos dizer que esse, buscar água no Chafariz Kaquende  é um hábito arraigado naquela sociedade.

Claro que ouvi a mesma afirmação repetida em tantos lugares diferentes: – Quem bebe dessa água sempre volta a Sabará.

Como é nosso hábito carregar em nossa Mochila de Sobrevivência, garrafas de água, também nos abastecemos nessa fonte. Voltaremos a Sabará? Tomará! E desejo muito revendo Sabará, encontrar uma cidade mais voltada para ser simpática aos visitantes. É incoerente, um povo maravilhoso, bom de conversa, sorridente, alegre. Um local com ótimo potencial e certo descuido na questão do atendimento ao visitante.

Teatro Municipal

http://sousabara.com.br/guia-turistico/casa-da-opera-teatro-municipal/

É muito maluco saber que em 1771 foi construído em Sabará uma Casa de Ópera que acabou sendo abandonada uma década depois. Conta a história que os espetáculos começaram a serem apresentados em praça pública.

Em 1819 foi construído o teatro que lá está até hoje em funcionamento.  Uma curiosidade o seu teto é feito em taquara. Ninguém sabe confirmar de desde sempre essa técnica construtiva foi usada. A acústica dessa casa é considerada uma das melhores da America do Sul.

Centro histórico

Destaco a Igreja de NS do Rosário dos Homens Pretos. Uma construção inacabada construída em pedra circunda uma capela de 1713 construída em taipa que hoje abriga o museu de arte sacra. Não conseguimos visitar, a atração estava fechada.

Outra Igreja interessante é a capela de NS do Ó. Está informado que a edificação tem influencia da arte e estilo chinês. Não conseguimos visitar, a atração estava fechada.

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Nosso trabalho é sobre o verdadeiro Turismo da Terceira Idade. Turismo para Maduros. Turismo para maduros descolados. Um Turismo Racional que considera os interesses, objetivos, condições e disponibilidades dos Maduros. Fugimos dos modismos, dos destinos e atrações previsíveis. Buscamos as coisas curiosas, as coisas típicas, excêntricas. Queremos conhecer a alma, a atmosfera a beleza singular de tudo e de todos.

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* Os maduros viajam priorizando o Caminho tanto quando o destino. Prefiram fazer um roteiro, visitando Sabará, fatalmente outras cidades históricas mineiras, Congonhas, Mariana, Ouro Preto… Mas valorize sua viagem estando aberto a conhecer cidades menos afamadas porém com segredos e encantos a serem desfrutados.

Jabuticaba

A neguinha está em toda parte. Essa frutinha (quase que) exclusivamente brasileira deveria ser merecedora de alguma honraria do tipo Patrimônio Cultural Brasileiro. Jabuticaba vem acompanhada de tradição. O plantio comercial é mínimo, inversamente proporcional ao fascínio e a sua presença nas receitas com ancestralidade.

Sabará soube reconhecer e respeitar a relação muito forte que tem com a Jabuticaba. Praticamente todo quintal das residências de Sabará ostentam pelo menos uma jabuticabeira. Ter uma Jabuticabeira em casa significa redução no valor do IPTU do imóvel.

Sabará se intitula a pátria da Jabuticaba. Lá temos o Festival anual da Jabuticaba. Lá se encontra a fruta ofertada tanto in natura como sendo protagonista em diversos produtos. Geléia, Vinagre, Cachaça, Licor, Vinho, Camponata… E aparecendo com destaque em diversos pratos com nos mostrou a maga Mislene de Paula, uma chef que será tema de um próximo delirante e delicioso tópico.

Quase que a totalidade dos lugares visitados oferecem a venda algum artigo de Jabuticaba.

Cheguei a ter contato, experimentei e gostei com uma inusitada bebida chamada Shrub de jabuticaba. (procurem a receita no link www.receiteria.com.br/receitas-com-jabuticaba/). É uma bebida produzida com jabuticabas conservadas em vinagre e água gaseificada.

* Quem gosta de bebidas exóticas, diferentes, terá uma ótima surpresa experimentando Cataia. Uma cachaça curtida na planta do mesmo nome. A Aguardente fica sem acidez. Conheça, experimente. Veja o artigo dentro da matéria sobre Ilha Comprida.

  

Sabará e a culinária secular

O termo escravidão não significava apenas ter a posse de pessoas escravas. Na verdade significa de todas as formas não permitir ao ser humano inferiorizado, escravizado, uma vida razoável. Aos escravos se negava tudo, por exemplo, comida. Essa carência generalizada exacerbou o instinto de sobrevivência obrigando a comunidade negra a identificarem alternativas de sobrevivência.

Uma conspiração das forças positivas do universo apontou aos negros a folha daquela planta espinhuda, encontrada facilmente no mato e que começou a servir com cerca viva para residências de alguns ilustres e das igrejas.

Esse é um vegetal com altíssimo nível de proteína que os estudiosos classificam como “o bife dos pobres”. É um vegetal rude, nasce e se reproduz em qualquer canto, tem tantos atributos nutricionais que deveria ser de uso obrigatório como enriquecedor de farinhas.

Quase dá pra dizer que o nome em latim significaria uma resposta da providência para a fome do povo, prefiro reproduzir o que ouvi de uma senhora sabaraense  que já conta mais de 70 anos de idade. Ela disse exatamente assim.

            – A mãe conta que tinha na missa uma parte com um falatório em latim. Nessa hora as mães dizia. – Tá na hora do Ora pro nobis, vai mulecada, vai  colhê as foias.   

A carência de alimentos, e a abundância na natureza de Jabuticaba, Banana e Ora-pro-nobis foi a base para criação de uma culinária peculiar perpetuada pelos costumes de sociabilização dos sabaraenses.   

 

Os Causos e as lendas

Já ouvi muito relato jurado. Aquela história fantástica que não aconteceu com o narrador, mas ele jura que é verdade. Em mais de uma prosa de rua, fui contemplado com esses “causos”.  Deu pra notar que o povo de Sabará gosta de contar “causos” de assombro.

Parece que o mais recorrente deles é sobre a noiva da Igreja de N S do Carmo.

…………Uma mulher vestida de noiva que no lugar do buquê carrega uma vela, sai da Igreja, atravessa a rua e entra no cemitério.

Conheço vários cemitérios que estão junto a igrejas. Normalmente atrás da igreja, mas em Sabará de um lado da rua foi construída a igreja consagrada a N S do Carmo e do outro lado da rua, exatamente em frente a igreja fizeram um cemitério.

Com ou sem assombração a população conta que praticamente nenhuma noiva quer chegar ao seu casamento olhando para um cemitério.

Descansando

Ficamos hospedados no Republica Sabará Hostel. Se bem escolhido essa opção, hostel, não trás nenhum prejuízo ao sua viagem. Desde que sua intenção quanto a hospedagem esteja desacompanhada de itens de lazer que nem sempre são utilizados, a coisa rola com muita tranqüilidade.

Aira é o nome da simpática proprietária que oferece hospedagem numa casa com varias entradas que acabam tornando seu aposento praticamente independente.

O local é muito próximo ao centro, mas fica numa rua tranquilíssima e é vizinha de uma mata preservada. O sossego para um descanso merecido e necessário é garantido.

Um quarto amplo, bem ventilado, tudo com acabamento, arrumação e limpeza na forma correta.

Além de simpática Aira tem uma característica excelente como anfitriã. É uma conhecedora, defensora e difusora dos hábitos Sabaraenses. Eu não disse mineiros, disse sabaraenses.  Já comentei e é disso que falo agora da Cultura dos Quintais, da tradição muito peculiar de Sabará que se perpetua á séculos.

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 Sebastião Gourmet

Sabará - Chef Mislene, Rest. Sebastião GourmetUm restaurante incrível. Um ponto de resistência da mais genuína culinária sabaraense, funcionando num conjunto de conceitos diferenciados. Explicando

A chef Milsane de Paula é outra ferrenha defensora das tradições sabaraenses que criou um jeito personalista de conduzir sua casa. No Sebastião Gourmet se praticam a cozinha em 3 conceitos básicos: Artigos regionais, Mesa compartilhada e Cozinha ao Vivo

  Sabará - Rest. Sebastião Gourmet         Não existe um sistema a La carte convencional. A Chef Milsane vai apresentando sugestões, dialogando e as coisas vão saindo. E dizer “coisas” no plural não é força de expressão, serão preparadas porções de diversos pratos diferentes.

Sebastião Gourmet é uma casa diferenciada e qualificada que só pode ser descrita como uma experiência sensorial/social incrível. Fizemos com ela duas esplêndidas refeições e convivemos com várias pessoas vindas de Belo Horizonte (24 km) com determinação exclusiva em Sabará, comer bem e papear gostoso. Isso significa para nós que somos viajantes profissionais que estando em Belo horizonte, Sebastião Gourmet é opção prioritária para uma refeição.

Nós os maduros, vemos esse tipo de oportunidade com o máximo interesse. Consumir de ótima gastronomia, conviver com gente interessante, saber sobre a cidade.   

*Clique no título e conheça mais detalhes dessa imperdível oportunidade. Sabará - Rest. Sebastião Gourmet

Sebastião Gourmet                                                                     Trav. Arthur Lima Jr. 34                                                                                            (31) 3671 2114   (31) 97115 5686                                                           https://www.facebook.com/Sebastiaogourmet/

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Arte

A Palma Barroca

Pelas mãos das mulheres de Sabará está perpetuada a confecção da Palma barroca. A técnica é Latonagem. Uma folha bem fina de alumínio é pressionada contra um molde ponto a ponto e assim é formado um baixo relevo e vão se formando desenhos e peças maravilhosas. Depois o metal é banhado em Ouro ou em Prata. Essa arte foi desenvolvida na época do barroco.

A Renda Turca de Bicos

Considerada Bem Cultural de Natureza Imaterial, a Renda Turca de Bicos é outra tradição da Cultura dos Quintais. As rendeiras de Sabará se orgulham de terem trabalhos espalhados pelo mundo todo.  

 

O homem do doce

Confundindo, divertindo, se apresentando. Vimos esse personagem várias vezes pela cidade. Um homem, duas mulas, dois alforjes carregados de vidros com doces caseiro. É assim que ele identifica seus produtos “doces caseiro”. Doces, no plural porque ele oferece alguma variedade. Caseiro no singular por determinar a procedência, o estilo de fabricação.

Ver, parar, experimentar o doce, conversar com o excêntrico comerciante é coisa que nós os maduros sabemos fazer com muito prazer.

   

         

         

 

 

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